PLANTAS BIOATIVAS NA PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS NOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO

  • Patrícia Oliveira de Freitas
  • Claudete Izabel Funguetto
Rótulo Plantas, medicinais, pecuária, orgânica, tratamento, alternativo, etnoveterinária, fitoterapia

Resumo

Os medicamentos sintéticos predominam há várias décadas como profiláticos e terapêuticos na medicina humana e animal. Na medicina veterinária há um desafio no controle de doenças, devido à fatores como os patógenos que adquirem resistência às drogas que estão disponíveis no mercado, principalmente pelos antimicrobianos, anti-helmínticos e acaricidas, e consequentemente, aumento de custos e a presença de resíduos, na carne e no leite, trazendo prejuízos econômicos no descarte do leite e atraso no abate dos animais. As plantas bioativas não são mais consideradas apenas terapia alternativa, mas uma forma de buscar saúde e qualidade de vida, e seu uso nos cuidados de controle e curativa na produção animal, traz benefícios não só para os animais, como para os consumidores, com alimentos mais saudáveis e sem resíduos. Diante disso, esse trabalho teve como objetivo fazer uma revisão bibliográfica de diversas plantas bioativas utilizadas na prevenção, controle e tratamento de doenças dos animais de produção como, bovinos, ovinos, caprinos e equinos. As plantas medicinais contém princípio ativo que apresenta atividade terapêutica natural, com propriedade de profilaxia, tratamento ou cura de doenças. Nas propriedades leiteiras um dos principais desafios é o combate à mastite, principalmente quando causada pela bactéria Staphylococcus aureus, que apresenta alta resistência à maioria dos antimicrobianos existentes no mercado, sendo assim há diferentes estudos com o uso de plantas medicinais para o tratamento desta enfermidade. O extrato hidroalcoólico e decocção das plantas como cravo de defunto (Tagetes minuta), erva de bicho (Polygomum hydropiper), picão preto (Bidens pilosa), eucalipto (Eucaliptus sp.) e carqueja (Baccharis trimera) apresentaram ação antimicrobiana frente às bactérias causadoras de mastite Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Streptococcus agalactiae. Em estudo de laboratório, a casca do cajueiro (Anacardium ocidentale L) apresentou ação sobre as bactérias que causam mastite em vacas, sendo assim, é possível a aplicação em vacas com mastite clínica e subclínica. O extrato de plantas alecrim do campo (Baccharis dracunculifolia), pé de perdiz (Croton antisyphiliticus) e alecrim pimenta (Lippia sidoides) apresentaram atividade inibitória e bactericida, ao isolarem Staphylococcus aureus do leite com mastite. Na criação de animais de produção também há a necessidade do uso de produtos cicatrizantes, e de produtos que combatam a infestação por ectoparasitas. O barbatimão (Stryphnodendron barbatiman) e a calêndula (Calendula officinalis) apresentaram boa ação para usarem em feridas. O uso de pomada com casca de jucá (Caesalpinia ferrea) em pó misturada com a vaselina estéril em lesões de pele em caprinos inibiu o crescimento bacteriano e auxiliou na reparação tecidual comparado ao grupo controle (vaselina estéril). Sementes de andiroba (Carapa guianensis) tem ação cicatrizante e anti-inflamatória na pele e em tosses, e também há relatos de uso em ectoparasitas como repelente, carrapaticida, em miíases e habronemose de equinos. O extrato de eucalipto (Eucalyptus sp.) apresentou eficácia de 96% em teste biocarrapaticidograma com teleóginas Rhipicephalus microplus (carrapato), podendo substituir os produtos químicos acaricidas. Outras plantas que apresentam eficácia no combate e controle dos ectoparasitas são a citronela (Cymbopogon nardus), o neem (Azadirachta indica), o cravo (Syzygium aromaticum), o manjericão/ alfavaca (Ocimum gratissimum) e o capim-cidreira (Cymbopogon citratus), que se tornam alternativas aos carrapaticidas sintéticos, como método carrapaticida natural. Outras plantas que têm sido estudadas, são as com poder anti-helmíntico. A jurubeba (Solanum paniculatum) individual e associada com batata de purga (Operculina hamiltonii) são alternativas anti-helmínticas à droga albendazol. A adição de neem (Azadirachta indica) na dieta de equinos ajuda no controle da parasitose nematódea. A administração de alho (Allium sativum) nas formas in natura e extrato apresentou redução de carga parasitária em ovelhas e cordeiros. Diferentes plantas têm efeito comprovado no uso antisséptico e desinfetante em ambientes de produção animal, como a babosa (Aloe vera) que pode substituir o iodo glicerinado na higienização da ordenha. Aroeira (Schinus terebinthifolius) apresentou in vitro ação antibacteriana e o extrato hidroalcoólico das folhas no pré e pós dipping mostrou efeito antisséptico nos tetos de vacas de leite, podendo ser usado como desinfetante natural. Eucalipto cheiroso (Corymbia citriodora) com sementes de linhaça marrom forma solução selante caseira para imersão dos tetos após a ordenha, podendo substituir o iodo comercial 0,5%. Após este estudo conclui-se que as plantas bioativas são eficazes, e possuem diferentes empregabilidades, podendo ser um método alternativo, mais econômico e saudável em diferentes meios de produção, e também proporcionando bem estar aos animais.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
OLIVEIRA DE FREITAS, P.; IZABEL FUNGUETTO, C. PLANTAS BIOATIVAS NA PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS NOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.