EFEITO DE SUPLEMENTOS NO CONSUMO DE AZEVÉM E GANHO DE PESO DE NOVILHAS BRAFORD

  • Manuela Heck
  • Larissa Trindade de Lima
  • Bruna Brandão Flores
  • Mariana Trindade Barreto
  • Ricardo Pedroso Oaigen
  • Deise Dalazen Castagnara
Rótulo Desempenho, Pastagem, inverno, Teor, fibra

Resumo

Pastagens de azevém e suplementações podem potencializar o ganho de peso de bovinos de corte em regiões com restrição de oferta e qualidade de forragem no período do inverno. No entanto, estes ganhos também podem ser alterados pelos teores de fibra da forragem e pelo consumo de matéria seca dos animais. Assim objetivou-se com este estudo mensurar os constituintes fibrosos e o consumo de forragem e o ganho de peso em novilhas Braford sobre pastagem de azevém e suplementações estratégicas. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco tratamentos, duas repetições físicas por tratamento e quatro repetições no tempo. Os tratamentos adotados foram: T1 controle, apenas com pastagem; T2 suplementação mineral: produto comercial 80g/animal/dia; T3 suplemento energético 0,1% PV: produto comercial; T4 suplemento energético 0,5% PV 0,1% + 0,4% farelo de arroz integral e T5 suplemento energético 1,0% PV: produto comercial 0,1% + 0,9% farelo de arroz integral. Os piquetes tinham área de 2 hectares, nestes foram alocadas como testers três novilhas da raça Braford com peso vivo médio inicial de 180 kg, utilizou-se a manutenção da carga animal para manter adequada altura da pastagem. A forragem foi amostrada, pela técnica de simulação de pastejo, eram realizadas avaliações em 15 pontos distintos em cada piquete. Após a coleta foram secas em estufa, trituradas e submetidas á determinação dos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). O consumo de matéria seca em relação ao percentual do peso vivo (CMSPV) foi estimado a partir da equação CMSPV=120/FDN. O ganho médio diário (GMD) foi estimado através de pesagens. Os dados foram tabulados em Excel e submetidos à análise de variância. Os suplementos foram comparados por Tukey (5%) enquanto os ciclos foram estudados por meio de análise de regressão linear e/ou quadrática. Os teores de FDN e FDA não foram afetados pelos suplementos, cujos valores médios foram de 567 e 422 g/kg. O CMSPV foi inferior na forragem pastejada por animais recebendo a suplementação mineral (2,08kg/dia), e nas demais suplementações não houve diferença e o CMSPV médio foi de 2,20. O CMSPV é um parâmetro relevante para mensuração em sistemas onde a pastagem representa a única ou principal fonte alimentar de bovinos. Ele significa o máximo de matéria seca que os animais conseguiriam consumir daquela pastagem em relação ao seu peso vivo. Ou seja, valores inferiores a 2,20 estariam indicando restrição severa de consumo de matéria seca em função do efeito de enchimento ocasionado pelo FDN da forragem. Em função disso, esse parâmetro possui potencial para afetar o desempenho dos animais. Nesse estudo, não foi observado esse efeito, pois não houve correlação entre os CMSPV e os GMD dos diferentes suplementos, possivelmente devido ao bom valor nutricional normalmente encontrado em pastagens de azevém. No entanto, ao longo dos ciclos de avaliação foram observadas diferenças em todos os parâmetros estudados. Os menores valores de FDN e FDA (432 e 299 g/kg, respectivamente) foram observados no segundo ciclo de avaliações da forragem, assim como o maior CMSPV (2,80) e o maior GMD (1,197 kg/dia). No terceiro e quarto ciclo de avaliação os valores de FDN (615 e 657 g/kg, respectivamente) e FDA (455 e 519 g/kg) foram superiores. Como possuem relação inversa com o consumo de forragem e o desempenho, estes foram reduzidos nos dois últimos ciclos de avaliações. No terceiro ciclo, o CMSPV e o GMD foram de 1,95 e 0,851 kg/dia, respectivamente, e no quarto ciclo os resultados foram ainda inferiores, com CMSPV de 1,83 e GMD de 0,133 kg/dia. Estes resultados confirmam o impacto que os constituintes fibrosos da forragem possuem no consumo e no desempenho animal. Ao elevarem-se os teores da fração fibrosa, o consumo fica prejudicado pelo efeito de enchimento e os ganhos ficam limitados. As variações nos teores de fibra da forragem ocorrem devido ao próprio ciclo de crescimento das forrageiras. Estas, durante seu desenvolvimento apresentam intenso crescimento da área foliar durante a fase vegetativa, produzindo forragem com baixos teores de fibra, como observado no segundo ciclo de avaliações. Porém, ao ingressarem na fase reprodutiva, reduzem sua diferenciação celular para folhas, elongando os entre-nós e iniciando a formação das estruturas reprodutivas. Essa modificação estrutural conduz ao aumento da altura de plantas, que para suportar o seu peso precisam de maior quantidade de constituintes fibrosos. Também, o elongamento dos entre-nos reduz proporcionalmente a área foliar e possuem maiores teores de fibras, estas estarão em maior proporção na forragem. O uso de suplementos mineral ou energético nos níveis de 0,1; 0,5 e 1,0% do PV em novilhas Braford não altera os constituintes fibrosos e o potencial de consumo de matéria seca da forragem. No entanto, estes parâmetros são sensivelmente afetados pelas alterações ocorridas nas plantas de azevém ao longo do seu ciclo produtivo

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
HECK, M.; TRINDADE DE LIMA, L.; BRANDÃO FLORES, B.; TRINDADE BARRETO, M.; PEDROSO OAIGEN, R.; DALAZEN CASTAGNARA, D. EFEITO DE SUPLEMENTOS NO CONSUMO DE AZEVÉM E GANHO DE PESO DE NOVILHAS BRAFORD. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.