DINAMICA DA CARGA ANIMAL EM PASTAGEM DE AZEVÉM COM NOVILHAS BRAFORD SOB ESTRATÉGIAS SUPLEMENTARES

  • Letícia Romani Simoni
  • Manuela Heck
  • Mariana Trindade Barreto
  • Ricardo Pedroso Oaigen
  • Deise Dalazen Castagnara
Rótulo Ganho, Peso, Matéria, seca, Pastagem, inverno, Suplementação

Resumo

A utilização de pastagens de azevém no período do inverno na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul é uma estratégia alimentar indicada para melhorar os índices produtivos da pecuária de corte. Pode ainda ser potencializada com uso de suplementações estratégicas nesse período. Porém, o ganho animal é dependente da carga animal adotada, que pode ser influenciada por ambos fatores, pastagem e suplemento adotados. Assim, objetivou-se por meio deste estudo elucidar a dinâmica da carga animal em pastagens de azevém, forrageadas por novilhas Braford, às quais foram ofertados diferentes suplementos. Para este estudo, adotou-se o delineamento em blocos casualizados, com cinco suplementos, e dois piquetes com área de dois hectares por suplemento. Ainda, as avalições foram realizadas no tempo, ao longo de quatro ciclos de pastejo, com cinco estimativas da carga animal, realizadas aos dias zero (entrada dos animais) e a cada 21 dias de pastejo, ou seja, aos 21; 42; 63 e 84 dias do ciclo forrageiro da pastagem. A carga animal foi estimada por meio da amostragem da forragem com unidade amostral com área conhecida e estimativas do seu teor de matéria seca. A partir da oferta forrageira foram calculas as carga animal suportadas tomando-se como referência a oferta de forragem de 4 kg de MS por kg de peso corporal. Nos piquetes foram alocadas como testers três novilhas da raça Bradford com peso vivo médio inicial de 180 kg, além de animais reguladores quando necessário. Os suplementos utilizados: T1 - Controle: Apenas pastagem; T2 - Suplementação Mineral (produto comercial): 80 g/animal/dia; T3 - Suplemento energético 0,1% PV: produto comercial; T4 - Suplemento energético 0,5% PV: produto comercial 0,1% + 0,4% Farelo de arroz integral; T5 - Suplemento energético 1,0% PV: produto comercial 0,1% + 0,9% Farelo de arroz integral. Os dados coletados e estimados ao longo do experimento foram planilhados em Excel com a comparação dos suplementos por Tukey (5%) e dos ciclos de pastejo por regressão linear ou polinomial. Em todos os ciclos de pastejo a carga animal suportada na pastagem onde as novilhas receberam apenas a suplementação mineral foi inferior, com média de 302; 536; 669 e 695 kg de PV/há, aos 21; 42; 63 e 84 dias de pastejo do período experimental. Este resultado deve-se ao estímulo ao consumo de matéria seca desencadeado pela mineralização, efeito que não foi observado nas demais suplementações, cujas carga animal foram superiores ao suplemento com mineralização, porém, semelhantes entre sí, inclusive para a testemunha. Ao serem comparados os ciclos de avaliações da forragem, apenas na suplementação mineral foi observada resposta linear, com aumento da carga animal ao longo dos ciclos de pastejo (Y= 5,4457x + 273,04; R² = 0,91). Nesta, estimou-se um aumento de 5,5 kg de PV/ha na carga animal ao longo de cada dia do período experimental, a partir do dia zero. Na testemunha e em todas as demais suplementações estudadas, a resposta foi quadrática. Quando não foi utilizada nenhuma estratégia suplementar (Y=-0,1119x2 + 17,581x + 109,9; R² = 0,97) houve um aumento da carga animal até os 79 dias do período experimental, com posterior redução. Como a entrada dos animais ocorreu com XX dias de implantação do azevém, esse ponto de máxima carga animal, e também ponto do início de redução desta coincide com a fase de máxima produção de matéria seca do azevém. Essa fase coincide com a entrada na fase reprodutiva, pois até então a forragem por estar em pleno estágio vegetativo, tenta acumular o máximo de área foliar, que será a área fotossintética usada posteriormente na fase reprodutiva. Quanto maior a área fotossintética, maior o potencial da planta de produção de fotoassimilados para produção de sementes e perpetuação da espécie. Por este motivo o máximo acúmulo de matéria seca das plantas e por consequência a máxima carga animal coincide com a entrada da pastagem na fase reprodutiva. A carga animal mensurada com o fornecimento de suplementação energética nos níveis de 0,1; 0,5 e 1,0% são explicadas, respectivamente, pelas equações Y0,1%=-0,1196x2 + 19,385x + 33,175; R² = 0,98; Y0,5%=-0,1312x2 + 21,771x - 43,675; R² = 0,99 e Y1,0%= -0,1112x2 + 17,063x + 89,175; R² = 0,99. A partir destas foram estimadas as cargas máximas de 819; 859 e 744 kg de PV/ha, as quais foram obtidas aos 81; 83 e 77 dias do período experimental, para os níveis de suplementação energética de 0,1; 0,5 e 1,0%. As dinâmicas observadas com a suplementação energética aos animais são similares à observada para a testemunha, e também está relacionada ao ciclo de crescimento forrageiro. A suplementação mineral em pastagens de azevém sob pastejo com novilhas Braford permite aumento linear na carga animal ao longo de 84 dias de pastejo e XX dias de crescimento da pastagem. A suplementação energética ou ausência de suplementação não afetam a carga animal nestas pastagens, as quais ajustam-se à dinâmica de crescimento da forragem e ao seu ciclo produtivo e reprodutivo.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ROMANI SIMONI, L.; HECK, M.; TRINDADE BARRETO, M.; PEDROSO OAIGEN, R.; DALAZEN CASTAGNARA, D. DINAMICA DA CARGA ANIMAL EM PASTAGEM DE AZEVÉM COM NOVILHAS BRAFORD SOB ESTRATÉGIAS SUPLEMENTARES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.