PERCEPÇÃO DE SUINOCULTORES, PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DA MEDICINA VETERINÁRIA EM RELAÇÃO AO VÍRUS DA PESTE SUÍNA AFRICANA

  • Eduarda Kehl Merlo
  • Stefany Schmidtes Rohden
  • Clara de Carvalho Silva
  • Carolina Kist Traesel
Rótulo PSA, Suinocultura, Surto, América, Central

Resumo

A recente detecção do Vírus da Peste Suína Africana (PSA) na América Central, mais precisamente na República Dominicana e no Haiti, é um importante fator que ameaça a manutenção da sanidade animal e a economia global, relacionadas à suinocultura. É um vírus de genoma DNA, da família Asfarviridae, que acomete suídeos domésticos e asselvajados, com alto grau de patogenicidade e virulência, sendo que, na maioria das vezes, é letal após infecção e capaz de causar graves impactos econômicos. No Brasil, a produção de suínos é de extrema importância para a economia, sendo o quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo. O vírus é considerado exótico desde o ano de 1984 no país, em decorrência disso, pesquisas a respeito da doença são escassas e o conhecimento da população e de muitos profissionais da área acerca do tema é defasado. Neste sentido, o presente trabalho tem como pauta analisar a percepção de estudantes do curso de medicina veterinária, suinocultores e demais profissionais da área quanto à PSA, além de analisar o conhecimento do impacto que sua presença geraria às granjas de animais de produção, caso fosse detectada. Esta análise foi realizada através da aplicação de um questionário, via Google Forms, com 16 perguntas. O formulário foi disponibilizado entre 08 e 13 de setembro de 2021 para universidades, associações regionais de suinocultores, e também para empresas da área encaminharem aos seus profissionais, bem como diretamente a suinocultores. O total foi de 60 respostas (T), das quais 32 (53%) eram estudantes de medicina veterinária; 15 (25%) produtores de suínos; 6 (10%) técnicos-profissionais da área; e 7 (12%) produtores de subsistência. De T, 52 pessoas (87%) afirmaram ter conhecimento sobre o que é a PSA. No entanto, apenas 39 pessoas (65%) afirmaram saber como se manifesta clinicamente a doença. Os sinais clínicos de suínos com PSA são inespecíficos, incluindo febre, perda de peso e dificuldade respiratória, além de lesões hemorrágicas. Todos os respondentes, acreditam que deve ser tomada alguma medida sanitária no rebanho, caso algum animal seja detectado com a doença. Na percepção dos entrevistados quando perguntados se recentemente houve alguma detecção do vírus da PSA no Brasil, 13 (22%) responderam que sim, informação que não procede. Ainda, 58 (97%) de T afirmaram que acham possível que a disseminação do vírus se dê por vetores e fômites. O vírus da PSA pode ser transmitido diretamente por animais infectados, por carrapatos, ou ainda por roupas, alimentos e objetos contaminados. No entanto, a doença não tem potencial zoonótico. Contudo, de T, 17 (28%) afirmaram ser uma doença zoonótica. Ainda, do total de respondentes, 41 (68%) acreditam que a prática de caça de javalis facilita a disseminação do vírus, é importante ressaltar que os suídeos silvestres atuam como reservatórios em áreas em que o agente é endêmico. Quanto à necessidade de abate sanitário de todos os animais da granja caso haja detecção na propriedade, 44 respondentes (73%) acreditam que seria necessário. Considerando a ocorrência da doença em algum rebanho próximo, de T, 22 respondentes (37%) acreditam que seria necessário que os animais da sua granja fossem condenados ao abate sanitário também. O sacrifício sanitário e demais cuidados de vazio e descontaminação são recomendados e atribuídos ao Serviço Veterinário Oficial. A respeito do transporte interestadual de subprodutos de suínos sem respaldo técnico, 57 (95%) acreditam que pode ser um fator de propagação. O transporte de animais ou subprodutos sem a devida inspeção sanitária pode favorecer a disseminação de diversas doenças; especialmente em relação à PSA, a movimentação de animais que possam estar infectados e subprodutos de origem suína, se contaminados, pode favorecer a entrada do vírus em rebanhos suínos de locais onde ele não está presente. Dos suinocultores participantes, quando questionados se a empresa para qual alojam animais enviou algum tipo de notificação a respeito da PSA, após a recente detecção na América Central, 12 de 15 (80%) responderam que sim. Através das análises realizadas nesse estudo, concluiu-se que o conhecimento do público abordado em relação à PSA é vago. Desta maneira, nota-se a necessidade de uma maior divulgação de informações aos estudantes de medicina veterinária e profissionais da área, assim como, formas de democratizar o conhecimento e facilitar o acesso e a compreensão dos produtores de suínos a respeito do tema. Dessa forma, foi elaborado um informativo disponibilizado aos participantes após o envio deste formulário de pesquisa. Deve-se lembrar que a PSA é uma doença com altas taxas de letalidade e potencial capacidade de gerar relevantes impactos econômicos, para a qual não há possibilidade de imunização através de vacinas.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
KEHL MERLO, E.; SCHMIDTES ROHDEN, S.; DE CARVALHO SILVA, C.; KIST TRAESEL, C. PERCEPÇÃO DE SUINOCULTORES, PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DA MEDICINA VETERINÁRIA EM RELAÇÃO AO VÍRUS DA PESTE SUÍNA AFRICANA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.