NOTIFICAÇÕES DE ANEMIA INFECCIOSA EQUINA NO RIO GRANDE DO SUL EM 2021

  • Fellipe Puget Marengo
  • Raíssa Gasparetto
  • Gabriella Ribeiro Vaz da Costa
  • Vitória Dotto Ragagnin Prior
  • Paula Fonseca Finger
  • Carolina Kist Traesel
Rótulo Equídeos, Diagnóstico, AIE

Resumo

O Vírus da Anemia Infecciosa Equina (AIE) pertence à família Retroviridae, gênero Lentivirus, com genoma RNA, e é responsável por causar infecções em equídeos. Sua principal característica é provocar infecção persistente no animal acometido, podendo cursar com sinais de episódios febris recorrentes e trombocitopenia. A transmissão pode ocorrer por meio de vetores mecânicos, por fômites contaminados e, ainda, de forma iatrogênica. Em regiões com baixa prevalência para a doença, todos os animais confirmados como positivos devem passar por eutanásia obrigatória, tornando, assim, a AIE uma enfermidade que causa um desafio no desenvolvimento da equideocultura. Esta é uma enfermidade de notificação compulsória aos órgãos de defesa animal, como a Inspetoria Veterinária Estadual (Serviço Veterinário Oficial - SVO), sendo que, nos últimos anos, houve um aumento de registros de animais soropositivos para AIE no Rio Grande do Sul (RS). Este trabalho teve como objetivo analisar os dados oficiais do ano de 2021 relacionados às notificações de casos de AIE no RS. Dessa forma, foram analisados os registros dos casos notificados de AIE, fornecidos pelo SVO de Uruguaiana, entre os meses de janeiro e agosto de 2021, sendo realizada a quantificação e localização de todos os surtos, levando-se em consideração as cidades dos casos registrados, número de casos positivos e a quantidade de focos e casos isolados registrados. . De um total de 67 notificações de focos ou casos isolados de AIE recebidos pelo SVO durante esse período, 97 animais foram testados, sendo que cada foco, referente a cada local onde o animal se encontra, envolvia em média 2 a 3 equinos. De todos os animais testados, 56 (57,7%) foram positivos, 17 (17,5%) foram negativos e em 24 (24,7%) casos a suspeita inicial de AIE não se aplicou. No período analisado, o mês de agosto teve mais registros de casos, totalizando 17 (17,5%), e o mês de janeiro, com um menor registro, totalizando 9 (9,27%) casos. As cidades de Nova Santa Rita e São Borja foram as que registraram mais casos, 14 e 13 (14,4% e 13,4%), respectivamente. Das 67 notificações (focos e casos isolados), 32 (47,7%) já se encontram encerradas, com as medidas sanitárias e a eutanásia efetuadas pelo SVO da região. Essas medidas sanitárias consistem na interdição do local foco, identificação e eutanásia do equídeo positivo, testagem dos demais animais do rebanho e vigilância epidemiológica, além de notificação a propriedades circunvizinhas ao foco. É realizada a liberação do local do foco após realização de dois exames consecutivos, com intervalo de 30 dias, com resultados negativos para AIE em todos os equídeos existentes na propriedade. Desde o ano de 2014, o estado do RS tem apresentado aumento nos registros de casos de AIE em decorrência, possivelmente, da exigência do teste diagnóstico negativo para AIE para obtenção da Guia de Trânsito Animal (GTA), regulamentada pela IN N° 05 de 2014. Segundo a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, no RS, estima-se que a prevalência seja inferior a 1%. Ainda, é importante destacar que, em 2020, haviam registrados em torno de 580 mil equídeos no RS, representando assim a influência cultural e relevância econômica dos equinos no estado. Dessa forma, AIE pode ser considerada uma das principais doenças de notificação obrigatória que acometem equídeos. Portanto, conclui-se que o estado do RS, por apresentar um extenso rebanho equino, de fato possui uma baixa prevalência de AIE, sugerindo que as medidas de controle e prevenção realizadas pelo SVO são eficazes no controle da enfermidade. Além disso, o aumento de realização dos testes denota maior fiscalização sanitária, sendo que as medidas de prevenção para AIE previstas na Legislação de Sanidade Animal não podem ser negligenciadas.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
PUGET MARENGO, F.; GASPARETTO, R.; RIBEIRO VAZ DA COSTA, G.; DOTTO RAGAGNIN PRIOR, V.; FONSECA FINGER, P.; KIST TRAESEL, C. NOTIFICAÇÕES DE ANEMIA INFECCIOSA EQUINA NO RIO GRANDE DO SUL EM 2021. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.