DOENÇAS NEUROLÓGICAS EM CÃES E GATOS ATENDIDOS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO VETERINÁRIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA, CAMPUS URUGUAIANA, RS

  • Aline de Moura Jacques
  • Matheus Borges Rodrigues Santos
  • Vitoria de Oliveira Rodrigues
  • Maria Eduarda Rodrigues Costa
  • Sandy Liara Primaz
  • Diego Vilibaldo Beckmann
Rótulo Neurologia, Doenças, neurológicas, Localização, neuroanatômica, Caninos, Felinos

Resumo

Os dados epidemiológicos sobre as doenças que afetam o sistema nervoso em cães e gatos são relativamente escassos no Brasil. Ainda que existam alguns trabalhos sobre enfermidades neurológicas que ocorrem nesses animais, geralmente consistem em relatos de casos ou estudos retrospectivos de uma determinada afecção e/ou região neuroanatômica. Através de um estudo retrospectivo pode-se identificar a prevalência de diversas afecções e suas variações geográficas, e com isso, gerar uma possível lista de diagnósticos diferenciais. Por esses motivos, foi realizado um estudo retrospectivo de cães e gatos atendidos no Hospital Universitário Veterinário (HUVet) da Universidade Federal do Pampa, Campus Uruguaiana, RS, de 2012 a 2019, com o objetivo de identificar e caracterizar a espécie, a idade, a raça, o sexo e as doenças neurológicas e classificá-las de acordo com a região anatômica e o acrônimo DINAMIT-V. Foram avaliadas 309 fichas neurológicas de cães e gatos e obtidas as informações para inclusão no estudo em 207 delas, sendo o diagnóstico etiológico ou presuntivo. A espécie mais frequente foi a de cães (191/207), totalizando 92,7% dos atendimentos neurológicos. Com relação a idade dos cães, a prevalência foi de 54/191 (28,2%) com mais de 9 anos, seguido de 50/191 (26,1%) com idade entre 3 e 6 anos, 31/191 (16,2%) com idade entre 6 e 9 anos, 28/191 (14,6%) com menos de 1 ano de idade, 23/191 (12,0%) com idade entre 1 e 3 anos e 5/191 (2,6%) não foi informado a idade; quanto a idade dos felinos, a prevalência foi de 8/16 (50,0%) com menos de 1 ano de idade, 2/16 (12,5%) com idade entre 1 e 3 anos, 2/16 (12,5%) com idade entre 3 e 6 anos, 2/16 (12,5%) não foi informado a idade, 1/16 (6,2%) com idade entre 6 e 9 anos e 1/16 (6,2%) com mais de 9 anos de idade. As raças mais frequentes dos cães foram 74/191 (38,7%) sem raça definida, seguida de 17/191 (8,9%) da raça poodle, 11/191 (5,7%) da raça Dachshund e 10/191 (5,2%) da raça Pinscher; quanto a raça dos gatos, os 16 (100%) animais eram sem raça definida. Quanto ao sexo dos cães, 99/191 (51,8%) eram fêmeas e 92/191 (48,1%) eram machos; e dos felinos, 8/16 (50,0%) eram fêmeas e 8/16 (50,0%) eram machos. A maior prevalência da neurolocalização da lesão dos cães e gatos foi 62/207 (29,9%) na medula espinhal entre T3-L3, 47/207 (22,7%) multifocal e 45/207 (21,7%) em tálamo-córtex, seguidos de 16/207 (7,7%) na medula espinhal entre L4-S3, 15/207 (7,2%) em nervos periféricos, 12/207 (5,7) na medula espinhal entre C1-C5, 7/207 (3,3%) neuromuscular e 3/207 (1,4%) na medula espinhal entre C6-T2. Os diagnósticos dos cães foram: 52/191 (27,2%) doença do disco intervertebral, 36/191 (18,8%) epilepsia idiopática, 29/191 (15,1%) cinomose, 16/191 (8,3%) trauma medular, 11/191 (5,7%) síndrome vestibular idiopática, 9/191 (4,7%) trauma cranioencefálico, 7/191 (3,6%) fratura de vértebra, 5/191 (2,6%) neoplasia e 26/191 (13,6%) outros; já os diagnósticos dos felinos foram: 6/16 (37,5%) trauma medular, 4/16 (25,0%) trauma cranioencefálico, 3/16 (18,7%) intoxicação tardia por organofosforado, 1/16 (6,2%) lesão iatrogênica por aplicação de medicamento, 1/16 (6,2%) subluxação de vértebra e 1/16 (6,2%) fratura de vértebra. Por fim, conforme o acrônimo DINAMIT-V, 59/207 (28,5%) eram doenças degenerativas, 51/207 (24,6%) eram doenças idiopáticas, 50/207 (24,1%) eram doenças traumáticas ou tóxicas, 38/207 (18,3%) era doenças inflamatórias/infecciosas, 5/207 (2,4%) eram doenças neoplásicas, 3/207 (1,4%) era anomalias de desenvolvimento e 1/207 (0,4%) era doença vascular. Pode-se concluir que a maior prevalência das doenças neurológicas de cães e gatos foi na espécie canina, em especial nas fêmeas, e envolveu mais comumente a medula espinhal na região de T3-L3, multifocal e o tálamo-córtex, sendo as afecções degenerativas mais frequentes, seguidas de idiopáticas e traumáticas ou tóxicas; com isso, os dados obtidos podem auxiliar em futuros estudos sobre a frequência e a distribuição das principais afecções neurológicas em cães e gatos na região da fronteira oeste.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DE MOURA JACQUES, A.; BORGES RODRIGUES SANTOS, M.; DE OLIVEIRA RODRIGUES, V.; EDUARDA RODRIGUES COSTA, M.; LIARA PRIMAZ, S.; VILIBALDO BECKMANN, D. DOENÇAS NEUROLÓGICAS EM CÃES E GATOS ATENDIDOS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO VETERINÁRIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA, CAMPUS URUGUAIANA, RS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.