O EXAME RADIOGRÁFICO COMO AUXÍLIO NO DIAGNÓSTICO NEUROLÓGICO – ESTUDO RETROSPECTIVO

  • Maria Eduarda De Moraes Guerra
  • Leticia Guilhermina Dos Reis Butarello
  • Marcela Pelisoli da Silva
  • Sandy Liara Primaz
  • Aline de Moura Jacques
  • Diego Vilibaldo Beckmann
Rótulo Cães, Coluna, vertebral, Gatos, Mielografia, Radiografia, simples

Resumo

Na medicina veterinária, o exame de imagem radiográfico da coluna vertebral é comumente solicitado para avaliação, acompanhamento e diagnóstico de afecções nessa região. Além de ser um exame prático, simples e de baixo custo, quando comparado a outros, apresenta como alternativa auxiliar ao diagnóstico de compressões medulares a realização da mielografia, a qual consiste na obtenção de radiografias após a injeção de agente de contraste radiopaco no espaço subaracnoide da cisterna magna ou lombar. Esse trabalho busca apresentar os resultados preliminares de um estudo retrospectivo realizado a partir da coleta de dados e análise de exames radiográficos simples e contrastados da coluna vertebral, realizados no Hospital Universitário Veterinário da Universidade Federal do Pampa, em Uruguaiana, no período de 16/03/2016 a 13/11/2019. Os prontuários do setor de diagnóstico por imagem do hospital foram analisados e 55 exames foram selecionados. Dados de cada paciente, tais como raça, sexo, idade, peso corporal, histórico, exame físico/neurológico, suspeita diagnóstica, tipo de exame realizado (simples e/ou contrastado), regiões radiografadas e projeções realizadas, foram coletados das fichas dos animais juntamente com os achados da nova análise das imagens realizada, sendo que todas essas informações foram inseridas em uma planilha. A análise preliminar dos dados evidenciou que todos os 55 animais realizaram radiografia simples e, desse total, 14 (25,45 %) realizaram ainda, exame de mielografia. A maioria dos animais que realizaram radiografias de coluna vertebral foram cães (85,45 %), sendo 25/48 fêmeas e 23/48 machos, e 7 (12,73 %) felinos, sendo 4/7 fêmeas e 3/7 machos; enquanto as 14 radiografias contrastadas foram realizadas em sua totalidade somente em cães, sendo 7/14 machos e 7/14 fêmeas. De acordo com a idade dos caninos, em ambos os tipos de radiografias, a prevalência foi maior em animais acima de 9 anos (35,42 %), já em felinos, animais com menos de 1 ano e entre 1 a 3 anos foram mais prevalentes (28,57 % para ambos). Além disso, pode se observar que a suspeita diagnóstica mais constante encontrada nos cães foi a doença do disco intervertebral (DDIV) com 56,25 % dos pacientes e, em segundo lugar, o trauma em coluna vertebral toracolombar (39,58 %); quanto em gatos, os traumas em coluna vertebral toracolombar (57,14 %) e lombar (28,57 %) prevaleceram mais. Ainda, houve animais em que mais de uma afecção foi suspeitada. Com relação às regiões radiografadas, em radiografia simples, houve 35/48 toracolombar, seguido de lombar e lombossacra, ambas com 7/48, cervical com 6/48 e torácica 1/48; já na mielografia, a região toracolombar também foi a mais prevalente com 10/14, seguida de cervical com 2/14 e toracolombossacra e lombossacra com 1/14 cada. Nas projeções realizadas, o exame simples teve 55/55 projeções laterolaterais e 48/55 ventrodorsais; na mielografia, 14/14 laterolaterais, 14/14 ventrodorsais, 11/14 obliqua esquerda e 11/14 obliqua direita. Por fim, os achados radiográficos mais encontrados na radiografia simples de coluna vertebral de cães, foram a redução do espaço intervertebral (29/48), o que está relacionado com a suspeita mais prevalente dos mesmos, a DDIV, espondilose (14/48), vértebra em formato de cunha (8/48) espondilose anquilosante e calcificação do disco intervertebral (7/48 cada uma), alteração também presente na DDIV; em felinos foram a vértebra em formato de cunha (3/7), luxação, fratura e redução do espaço intervertebral (2/7 cada uma), as alterações de luxação e fratura de vértebra podem estar relacionadas com as suspeitas de trauma em coluna dos felinos. Na mielografia, o desvio de contraste esteve presente em maior número (9/14), seguido de falha na linha de contraste (6/14) e extravasamento de contraste do canal vertebral (6/14), essas alterações comumente estão presentes na doença do disco intervertebral, relatada como principal suspeita dos caninos. Diante disso, foi observado que as principais suspeitas estavam de acordo com os achados radiográficos, demonstrando não só a importância do exame neurológico, mas principalmente do uso de exames radiográficos complementares ao diagnóstico de desordens neurológicas em pequenos animais. Ademais, as informações investigadas nesse trabalho, corroboram para uma análise epidemiológica relacionada às radiografias simples e contrastada da coluna vertebral de cães e gatos atendidos neste hospital, pois a partir da análise desses dados, pode-se verificar os achados radiográficos mais predominantes em cães e gatos com a finalidade de informar a prevalência das alterações encontradas e, também, para correlacioná-las futuramente com as possíveis etiologias de afecções da coluna vertebral.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
EDUARDA DE MORAES GUERRA, M.; GUILHERMINA DOS REIS BUTARELLO, L.; PELISOLI DA SILVA, M.; LIARA PRIMAZ, S.; DE MOURA JACQUES, A.; VILIBALDO BECKMANN, D. O EXAME RADIOGRÁFICO COMO AUXÍLIO NO DIAGNÓSTICO NEUROLÓGICO – ESTUDO RETROSPECTIVO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.