MANDIBULECTOMIA PARCIAL ASSOCIADA À GLOSSECTOMIA PARCIAL EM CÃO COM MELANOMA ORAL – RELATO DE CASO

  • Sara Marin Aubel
  • Sara Marin Aubel
  • Eduardo Santiago Ventura de Aguiar
  • Thomas Normanton Guim
  • Bárbara Luiza Migueis Nunes
  • Gabriela Morais Santana
  • Vittória Bassi das Neves
Rótulo Mandíbula, Cavidade, Oral, Neoplasia, Cirurgia, Oncológica, Língua

Resumo

O melanoma é um tumor que se origina dos melanócitos, unidade celular produtora de melanina. A forma mais comum em cães, principalmente naqueles com maior pigmentação de pele e mucosas, ocorre na cavidade oral. As formas benignas dos tumores melanocíticos são denominadas melanocitomas, e as formas malignas melanomas. A etiologia é desconhecida, mas sabe-se que cães machos, entre sete e 14 anos, de raças como Airedales, Golden Retriever e Labrador Retriever são mais propensas a desenvolverem a doença. O seguinte trabalho relata a técnica de mandibulectomia rostral e central direitas associada à glossectomia parcial em um cão acometido por melanoma oral. Foi atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Pelotas (HCV-UFPel) um cão, macho, inteiro, de 12 anos, da raça Labrador Retriever. O paciente apresentava histórico de perda de massa corporal, disfagia, sialorreia e sangramento na cavidade oral. Após avaliação sob sedação, verificou-se que ele possuía um tumor em região dorsolateral do corpo da língua medindo 5,9 cm x 4,5 cm e outro no corpo da mandíbula, em região de terceiro pré-molar direito medindo 2,5 cm x 2 cm. Foram feitos exames laboratoriais, que evidenciaram discreta anemia, e foi realizada citopatologia da massa, que sugeriu melanoma. Em seguida, houve o planejamento e encaminhamento do paciente para remoção do tumor. Após a preparação e posicionamento do paciente em decúbito lateral esquerdo foi iniciado o procedimento, com realização da linfadenectomia mandibular, do linfonodo mandibular direito, que se mostrava reativo. Posteriormente, foi executada a glossectomia com uma incisão em cunha para a ressecção do tumor no corpo da língua, com margens cirúrgicas laterais de 0,5 cm e profunda de 0,25 cm. A hemostasia foi feita com o auxílio de eletrocautério e ligaduras com poliglactina 910 (PGLA) 3-0. O padrão de sutura das bordas epiteliais dorsal e ventral foi contínuo simples com nós internalizados utilizando PGLA 3-0. Após a glossectomia, foi iniciada a mandibulectomia parcial, realizando incisão da mucosa gengival e sublingual, com margens medial e lateral de aproximadamente 1 cm e craniocaudais maiores que 2 cm. Com o auxílio do elevador de periósteo, a mucosa foi elevada e rebatida, assim como a musculatura, para visibilização do corpo da mandíbula. Com um osteótomo e martelo cirúrgico, o corpo da mandíbula e a sínfise mandibular foram seccionados transversalmente. Com o auxílio de uma goiva, as bordas ósseas foram suavizadas, a fim de não lesionar a mucosa. A síntese foi realizada em dois planos de sutura, sendo o primeiro de submucosa com padrão isolado simples, seguido de mucosa com padrão Swift, ambos com PGLA 3-0. A fim de auxiliar na alimentação, ingesta de água e medicamentos, uma esofagostomia foi realizada. Os tumores e linfonodo removidos foram encaminhados para análise histopatológica. No pós-operatório, o paciente recebeu metronidazol, associação de amoxicilina e clavulanato de potássio, tramadol, dipirona e ondansetrona, e apresentou apetite e facilidade para apreensão do alimento. O diagnóstico precoce de tumores na cavidade oral é um desafio, visto que, assim como o paciente em questão, geralmente o animal apresenta sinais clínicos de forma discreta e progressiva como perda de peso, halitose, sialorreia, dificuldade de apreensão e mastigação. Apresentou, no exame histopatológico, melanoma metastático em linfonodo mandibular, e melanomas nas neoformações da base da língua e ramo mandibular, ambas com margens livres. O exame citopatológico serviu de auxílio para a diferenciação de processo inflamatório, e para o planejamento cirúrgico deste paciente, antecedendo o método de diagnóstico definitivo, a histopatologia. A ressecção cirúrgica é o tratamento de eleição do melanoma em cães, respeitando margens amplas recomendadas (quando possível) para evitar recidivas, havendo outros tratamentos complementares para a doença. Sabe-se que o prognóstico do paciente com melanoma oral que já apresenta metástase, é desfavorável, ocorrendo frequentemente recidiva em média três meses após ressecção cirúrgica. Os principais locais de metástase são linfonodos regionais e pulmões, mas também em alguns casos baço, fígado, cérebro e coração. Após dois meses da cirurgia, o paciente retornou apresentando recidiva na região operada, com sangramento local e sinais de necrose, sendo indicada sua eutanásia. Ainda que a sobrevida tenha sido menor que a média descrita na literatura, foi possível notar que o procedimento cirúrgico foi efetivo em oferecer conforto ao paciente. Mesmo apresentando margens livres na histopatologia, houve recidiva tumoral, salientando a importância do acompanhamento do paciente oncológico e a relevância do exame da cavidade oral em avaliações de rotina para o diagnóstico precoce.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MARIN AUBEL, S.; MARIN AUBEL, S.; SANTIAGO VENTURA DE AGUIAR, E.; NORMANTON GUIM, T.; LUIZA MIGUEIS NUNES, B.; MORAIS SANTANA, G.; BASSI DAS NEVES, V. MANDIBULECTOMIA PARCIAL ASSOCIADA À GLOSSECTOMIA PARCIAL EM CÃO COM MELANOMA ORAL – RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.