CONHECIMENTO POPULAR SOBRE A DOENÇA DA RAIVA

  • Luanne Faria Sanches
  • Alison Henrique Ferreira
  • Andressa Magri Dadalt
  • Gabriella Ribeiro Vaz da Costa
  • Vitória Souza Debastiani
  • Carolina Kist Traesel
Rótulo Palavras-chave, Lyssavirus, Zoonose, Vacina, Medicina, veterinária, Vírus

Resumo

A raiva é uma doença infecciosa ocasionada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, que pode acometer animais domésticos e selvagens, além de humanos, sendo extremamente importante por possuir carácter zoonótico e ser altamente fatal. Este trabalho tem por objetivo avaliar o conhecimento da população, principalmente universitária, e divulgar informações sobre o vírus da raiva, visando a disseminação do conhecimento sobre a doença e suas particularidades, especialmente sobre a prevenção. Os resultados foram obtidos através de formulário via plataforma digital Google Forms, variando entre perguntas de respostas obrigatórias e não obrigatórias, disponibilizado entre 2 e 10 de setembro de 2021. Por ser um assunto de saúde pública e que está diretamente relacionado ao controle de zoonoses, os resultados obtidos foram discutidos com base em dados do Ministério da Saúde (MS) em território nacional e da Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa obteve um total de 321 respostas, de 19 estados brasileiros. No que se refere ao conhecimento sobre a doença, de 321 respostas, 289 pessoas (90%) afirmaram ter conhecimento sobre ser uma zoonose; entretanto, o número caiu para 266 (82,9%) quando questionados sobre a fatalidade da doença. A raiva tem uma letalidade de aproximadamente 100%, visto que compromete o sistema nervoso central, sob forma de uma encefalite progressiva aguda. Sua transmissão se dá por meio da saliva dos animais infectados, principalmente pela mordedura, lambedura ou arranhadura. Do total, apenas 266 (82,9%) dos entrevistados souberam afirmar que a doença é causada por um vírus. Quando abordados sobre casos próximos de raiva animal, 43 entrevistados (13,7% de 313 respostas) afirmaram que já perderam ou conhecem alguém que perdeu um animal para a doença. Paralelamente, com base nos dados providos pelo MS, entre os anos de 2015 a 2020, foram registrados 168 casos de raiva canina e felina no Brasil. Dessa maneira, se faz importante a vacinação desses animais, pois, segundo a OMS, os cães são os principais transmissores de raiva para humanos, contribuindo com até 99% dessas transmissões, ou seja, ao vacinar o animal há uma interrupção do ciclo, favorecendo a prevenção da doença também em humanos. Relacionado à vacinação de pessoas após mordedura ou arranhadura por animais suspeitos, de 318 respostas, somente 39 (12,3%) tinham ciência sobre a necessidade. Quanto à vacinação de profissionais e estudantes da área da saúde, de 195 respostas, somente 77 pessoas (39%) já receberam a vacina antirrábica. A prevenção pré-exposição da raiva humana é realizada somente em profissionais que tem contato direto com os animais; no entanto, há protocolo de vacinação pós-exposição, que é administrado de forma terapêutica, visto que a doença tem evolução lenta, possibilitando uma resposta imune eficaz, devido ao período de incubação longo do vírus. Dependendo da gravidade do caso, pode-se recorrer ao soro antirrábico (imunoglobulina antirrábica). Em 2017, 75% dos cães receberam vacinação contra o vírus da raiva no Brasil. Entretanto, na pesquisa somente 212 pessoas (66% do total) realmente vacinam seus animais anualmente, ainda que cientes da importância vacinal. Relacionado ao local de vacinação, 210 (83% de 253 respostas) dos participantes asseguraram levar seu animal para vacinar em uma clínica veterinária. A prevenção se torna imprescindível no combate do vírus da raiva, que possui caráter zoonótico, priorizando-se medidas de controle do ciclo urbano, que são as vacinações de canídeos e felinos, além da captura e eliminação de reservatórios silvestres. Porém, para os animais não há cura e o tratamento é contraindicado devido ao alto risco de transmissão para os humanos, realizando-se apenas o isolamento do animal suspeito, o qual é mantido em observação em um local seguro, por período prolongado. Dessa forma, é possível concluir, baseando-se na pesquisa, que a maioria da população entrevistada tem consciência sobre a necessidade da vacina contra o vírus da raiva anualmente. Em contrapartida, não foi relatada a prática de vacinação dos animais da maioria dos entrevistados, constando haver um bom nível de conhecimento sobre o vírus ser uma zoonose e da importância da vacinação de cães e gatos, mas não de sua gravidade, fatalidade e medidas de prevenção e controle em humanos e animais.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
FARIA SANCHES, L.; HENRIQUE FERREIRA, A.; MAGRI DADALT, A.; RIBEIRO VAZ DA COSTA, G.; SOUZA DEBASTIANI, V.; KIST TRAESEL, C. CONHECIMENTO POPULAR SOBRE A DOENÇA DA RAIVA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.