COMERCIALIZAÇÃO EM FEIRAS: ESTRATÉGIA DE REPRODUÇÃO SOCIAL DA AGRICULTURA FAMILIAR NOS TERRITÓRIOS PRIORITÁRIOS DO RS

  • Marcia Aguirre
  • Alessandra Troian
  • Rita Inês Paetzhold Pauli
Rótulo Autonomia, Segurança, Alimentar, Geração, Renda

Resumo

Os territórios prioritários das regiões central e sudoeste do Rio Grande do Sul são constituídos de agricultores familiares em situação de pobreza relativa e em busca de estratégias de reprodução social. Nestes territórios, a agricultura familiar desempenha papel relevante, contudo, apesar de sua importância ela vem sofrendo pressões de distintas fontes, as quais abalam sua reprodução como os mercados dominantes e hegemônicos. De outro lado, o consumidor está buscando resgatar laços culturais relacionados com os alimentos, os quais questionam os mercados tradicionais quanto a qualidade dos alimentos ofertados. Estes incitam alterações locais de produção e oferta de alimentos, corroborando para mudanças na territorialização alimentar. Sincronicamente, agricultores familiares vivenciam a revalorização de sua produção e o aumento da demanda por produtos tradicionais que a categoria social oferta. Essa tendência faz com que as cadeias curtas de comercialização, à exemplo das feiras de agricultores, passem a ser a expressão de alimentos frescos, de qualidade e diferenciados. Tais condições expressam a contribuição das feiras de agricultores para a segurança alimentar das regiões. Nesse sentido, o contexto evidencia oportunidades para a agricultura familiar dos territórios prioritários, que podem usar a comercialização de alimentos em feiras como estratégia de reprodução social. A fim de compreender este fenômeno, a pesquisa buscou identificar como a comercialização em feiras têm se tornado estratégia de reprodução social. Metodologicamente a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, elaborada a partir da revisão bibliográfica, entrevistas semiestruturadas e observação não participante. Foram entrevistados 15 agricultores familiares que comercializam em sete distintas feiras de territórios prioritários da região Centro-Oeste (municípios de Dona Francisca, Santa Maria e São Pedro do Sul) e da região Sudoeste (município de Santana do Livramento) do Rio Grande do Sul. Como resultados verificou-se que a comercialização em feiras: a) reforça vínculos socioculturais e econômicos entre a produção e o consumo; b) promove autonomia aos agricultores; c) gera troca de conhecimento e de saberes pois, o confronto (pessoal) entre produtores de orgânicos e de produtos agroecológicos cria sinergias na apropriação do conhecimento; d) aproxima produtores e consumidores; f) reforça os processos de organização social. Além de gerar emprego e renda para a agricultura familiar, a comercialização em cadeias curtas fortalece o modo de vida dos agricultores através da valorização das suas atividades, pelas relações de confiança e reciprocidade. Porém, políticas específicas para a organização e a logística de funcionamento das feiras são precárias, sobretudo em Santana do Livramento.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
AGUIRRE, M.; TROIAN, A.; INÊS PAETZHOLD PAULI, R. COMERCIALIZAÇÃO EM FEIRAS: ESTRATÉGIA DE REPRODUÇÃO SOCIAL DA AGRICULTURA FAMILIAR NOS TERRITÓRIOS PRIORITÁRIOS DO RS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.