O PERFIL DOS REFUGIADOS NO BRASIL: ALGUNS ELEMENTOS

  • Estêvão Yamin
  • Fabio Jardel Gaviraghi
Rótulo Refugiados, Perfil, socioeconômico, Acesso, Políticas, sociais

Resumo

Sendo obrigados a migrar de um local para outro, perdendo, assim, suas raízes, territorialidade, identidade e precisando se adaptar a uma nova realidade, as pessoas refugiadas estão submetidas a estas expressões decorrentes a reais temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política. O escopo da pesquisa que orienta essas reflexões é analisar as políticas sociais existentes a fim de averiguar suas possíveis contribuições com a permanência e melhoria das condições de vida dos refugiados (ou migrantes em situação de guerras religiosas, étnicas e políticas) na Região Sul do Brasil. Para tanto, neste momento será apresentado o perfil dos refugiados no território brasileiro, suas características sociais, econômicas, educacionais e de integração, assim como constatar suas principais localidades de origem. Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura utilizando dados de pesquisas já feitas, assim como dados oficiais do Governo Federal. Hoje o Brasil conta com mais de 6,5 mil pessoas em situação de refúgio, oriundas de diversas partes do mundo e, ao todo, mais de 10 mil pessoas já foram reconhecidas pelo governo brasileiro como refugiadas. Com a pesquisa realizada, analisou-se que a maioria dos refugiados no país tem origem da Síria e do Congo e, em relação à raça/cor, a maioria dos refugiados se autodeclaram pretos (46%). No que tange a escolaridade, os refugiados demonstram níveis maiores que a maioria da população brasileira. 84,65% dos refugiados concluíram o ensino médio, enquanto apenas 48,8% dos brasileiros possuem ensino médio completo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ainda, 31,33% dos refugiados são graduados em ensino superior; no entanto, são poucos os que conseguem validar seus diplomas no Brasil por diversos motivos, tais como falta de recursos financeiros, problemas com documentação, processos burocráticos etc. Isso reflete na qualificação dos empregos que são exercidos por essa população, visto que a maioria dos refugiados que estão exercendo atividade laboral declara não conseguir aproveitar suas habilidades profissionais e conhecimentos na ocupação atual, o que representa uma falta de oportunidade e acesso. Ainda, chama-se atenção que, apesar do cenário de aumento da taxa de desemprego no Brasil, a maioria dos refugiados consegue acessar o mercado de trabalho, seja de maneira formal, informal, como empregados ou empregadores. Não obstante, essa população tem um baixo grau de acesso à previdência social, por exemplo: apenas 34,73% dos refugiados exercendo atividade laboral contribuem com a previdência social. Este panorama representa a importância de um contínuo esforço reflexivo e crítico acerca da compreensão do perfil dos refugiados no Brasil para a construção de subsídios para as mais diferentes pesquisas e trabalhos relacionados ao tema, em especial, no Serviço Social.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
YAMIN, E.; JARDEL GAVIRAGHI, F. O PERFIL DOS REFUGIADOS NO BRASIL: ALGUNS ELEMENTOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.