ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS FRENTE À PANDEMIA DE COVID-19: ESTUDO TRANSVERSAL

  • Lais Vargas
  • Rovana Kinas Bueno
  • Camila Simonetti Pase
  • Lucas Pitrez Mocellin
  • Shana Hastenpflug Wottrich
Rótulo Covid-19, Saúde, mental, Coping, Docentes, universitários

Resumo

A pandemia do novo coronavírus (COVID-19) abalou o mundo, exigindo ações de saúde pública para diminuir o contágio exponencial da doença. Entende-se que, além dos aspectos biológicos, essa infecção pode causar impactos psicológicos que podem ser duradouros e prevalentes, considerando as mudanças expressivas nas rotinas e nas relações sociais das pessoas. Tal realidade exige o estabelecimento de um conjunto de estratégias de enfrentamento (Coping) que auxiliem o indivíduo a adaptar-se à essa situação, a fim de minimizar seus efeitos psicológicos e emocionais. Portanto, o objetivo dessa pesquisa foi identificar as estratégias de enfrentamento de docentes universitários frente à Pandemia de COVID-19. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo, no qual se disponibilizou um questionário no Google Forms que foi respondido em formato online por docentes da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), que aceitaram participar da pesquisa. O questionário apresentou questões sociodemográficas e da Escala Modos de Enfrentamento de Problemas (EMEP) que avalia estratégias de enfrentamento focalizados no problema, na emoção, na religião/pensamento fantasioso e no suporte social. Um total de 231 docentes participaram da pesquisa. Dentre os resultados obtidos, 62,8% da amostra foi do sexo feminino e 27,7% pertencem as faixas etárias entre 36 e 40 anos e 46 anos ou mais. A maioria mora com a família (81%), possui como regime de trabalho 40h Dedicação Exclusiva (90,5%) e informou que saiu de casa até sete dias ao mês (54,1%). Quanto às categorias de enfrentamento, a estratégia focalizada no problema foi a mais utilizada (Média=3,76; DP=0,53), seguido de busca de apoio social (Média=3,17; DP=0,65). A variável frequência que saiu de casa mostrou-se associada com a categoria de enfrentamento focalizada no problema (valor P=0,006), com maior média para os sujeitos que saíram de casa 8 dias ou mais. A variável sexo apresentou associação com os desfechos estratégias de enfrentamento focalizadas na emoção (valor P=0,006) e estratégias focalizadas na religião/pensamento fantasioso (valor P<0,001), com maiores médias para os indivíduos do sexo feminino. Assim, pode-se afirmar que a maioria dos docentes da UNIPAMPA busca enfrentar a pandemia controlando e/ou lidando com a situação estressora. Além disso, as mulheres tendem a utilizar mais do que os homens estratégias de enfrentamento por meio da regulação da resposta emocional, assim como estratégias que circunscrevem pensamentos e comportamentos religiosos, como meio de enfrentamento de dificuldades, diante da situação de pandemia. Por fim, quem saiu oito dias ou mais utilizou da estratégia de enfrentamento focalizada no problema mais significativamente dos que saíram até sete dias. Por meio deste estudo, constata-se ser relevante atentar para o estabelecimento de ações de promoção de saúde mental, junto aos docentes da instituição, que possam ser sustentadas no conhecimento das estratégias de enfrentamento utilizadas.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
VARGAS, L.; KINAS BUENO, R.; SIMONETTI PASE, C.; PITREZ MOCELLIN, L.; HASTENPFLUG WOTTRICH, S. ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS FRENTE À PANDEMIA DE COVID-19: ESTUDO TRANSVERSAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.