MATERNIDADE E CIÊNCIA: ANÁLISE DE POLÍTICAS INSTITUCIONAIS PARA A EQUIDADE DE GÊNERO

  • Aline Walczak
  • Aline Teresinha Walczak
  • Fabiane Ferreira Da Silva
Rótulo Maternidade, Ciência, Carreira, científica, Editais

Resumo

As representações de maternidade acompanham e marcam as trajetórias das mulheres em diferentes períodos históricos, assim como as representações sobre o que é a ciência e o que é ser cientista. Por meio dessas representações, constituiu-se o androcentrismo científico e a exclusão da mulher de determinadas áreas da ciência. Assim, na medida em que a ciência é culturalmente constituída e alicerçada no modelo masculino de produzir o conhecimento, que englobam compromissos em tempo integral, alta taxa de produtividade e relações academicamente competitivas, acaba se formulando como um espaço inóspito para as mulheres, especialmente para as que são mães, pois precisam conciliar maternidade e carreira. As reivindicações pela equidade de gênero na ciência, se intensificaram e ganharam maior visibilidade nos últimos anos a partir de estudos, pesquisas e eventos sobre a temática, sendo que as discussões sobre a maternidade e a carreira científica das mulheres começa a ser notada nas agendas das universidades. Nessa perspectiva, objetivamos pesquisar e analisar a presença de políticas institucionais que consideram a maternidade na avaliação das mulheres nos editais institucionais das Universidades Federais do Rio Grande do Sul, como forma de minimizar a desigualdade de gênero na ciência. Sendo uma pesquisa documental, de caráter qualitativo, tomamos como escopo de análise os editais dos anos de 2018 e 2019 das 6 universidades federais presentes no estado do Rio Grande do Sul. Após a busca e análise dos editais nos sites das universidades, encontramos um total de 9 editais que correspondem com o objetivo proposto, sendo estes dois da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), seis da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e um da Universidade Federal de Rio Grande (FURG). As medidas de inclusão da maternidade pontuadas nestes editais diferem entre as universidades. A UNIPAMPA e a UFPel, consideram a maternidade na avaliação dos currículos de pesquisadoras que estiveram de licença maternidade nos últimos cinco anos antes da data de publicação dos respectivos editais, adicionando o acréscimo de um ano no período de análise para cada licença. Já a FURG, estabeleceu cinco quotas para docentes mulheres que estiveram em licença maternidade nos últimos dois anos do edital, que correspondeu aos anos de 2017 e 2018. Com relação aos tipos de editais que comportam essas políticas institucionais, destacamos que os dois editais da UNIPAMPA e os seis editais da UFPel são editais de Iniciação Científica. Já o edital da FURG, corresponde a Bolsas de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura, direcionado para as docentes da universidade. Esses resultados nos mostram que as discussões pertinentes à temática maternidade e ciência estão, mesmo que ainda de forma inicial, presentes nas agendas das universidades, precisando, porém, de maiores problematizações, reflexões e formulações de mais políticas públicas que busquem a equidade de gênero na ciência.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
WALCZAK, A.; TERESINHA WALCZAK, A.; FERREIRA DA SILVA, F. MATERNIDADE E CIÊNCIA: ANÁLISE DE POLÍTICAS INSTITUCIONAIS PARA A EQUIDADE DE GÊNERO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.