A SEÇÃO “BIBLIOTECA ESCOLAR INFANTIL” NA REVISTA DO ENSINO ENTRE OS ANOS DE 1951 E 1955

  • Elisângela Pires
  • Alessandro Carvalho Bica
Rótulo Biblioteca, escolar, Revista, Ensino, História, Educação, Biblioteconomia

Resumo

As bibliotecas e hoje os repositórios institucionais se constituem como fontes para a consolidação das democracias. Nessa perspectiva estudar como se dá o desenvolvimento, por meio da história, das bibliotecas escolares infantis é uma iniciativa fundamental, visto serem essas as primeiras bibliotecas em que as crianças têm acesso à construção de uma visão crítica da sociedade por meio dos livros. Este trabalho tem o objetivo de verificar como a seção da Biblioteca Escolar Infantil, na Revista do Ensino (RS), entre os anos de 1951 e 1955, aborda o tema das bibliotecas escolares, quem a escreve e como tudo isso se relaciona com a Biblioteconomia. Para esta análise foram selecionados 18 exemplares da Revista do Ensino (RS), disponíveis no Repositório Digital Tatu. Os resultados foram levantados pelo Paradigma Indiciário de Ginsburg, que parte em busca de indícios e sinais na literatura correspondente à área de interesse para responder as questões levantadas. As bibliotecas escolares BEs se apresentam a partir da proposta da Escola Nova e encontram espaço na proposta de Élida de Freitas e Castro Druck, autora da seção Biblioteca Escolar Infantil. Era professora de Biblioteconomia no Curso de Administração Escolar do Instituto de Educação de Porto Alegre, escrevia sobre a importância da BE, como espaço privilegiado para a formação de novos leitores e de difusão do livro, não só na escola, mas também no lar. Élida trazia em sua seção textos e trabalhos escritos principalmente por alunas do curso supracitado, todavia nenhuma possuía a formação específica para o cargo de gestão das BEs, o Bacharelado em Biblioteconomia, tampouco foi localizado em todos os documentos analisados a questão referente a formação específica. Contudo, apresenta diversos aspectos sobre a teoria das BEs e sugere aos professores bibliotecários diversas formas de consolidar este espaço no centro da escola, como um espaço de aprendizagem contínua. A autora consegue se aproximar da proposta da biblioteca nova para a época e propõe um processo de aprendizagem na biblioteca, que remete ao termo cunhado nos Estados Unidos, nos anos de 1970, information literacy, traduzido no Brasil como letramento informacional, e se caracteriza justamente por possibilitar a aprendizagem sobre as fontes de informações e como aprender no espaço informacional, seja ele físico ou eletrônico. Além deste processo, a autora reforça a questão de aproximar a biblioteca dos leitores, seja por meio de uma caixa de sugestões disponível a eles, quanto pela participação na seleção de atividades para realizarem na BE, desde cursos, palestras e contação de histórias. Práticas essas que são chamadas hoje de inovadoras pela literatura técnica da área biblioteconômica, visto que muitas bibliotecas continuam parecendo as bibliotecas dos mosteiros, aqueles que abrigavam as primeiras bibliotecas do país, ainda em 1500.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
PIRES, E.; CARVALHO BICA, A. A SEÇÃO “BIBLIOTECA ESCOLAR INFANTIL” NA REVISTA DO ENSINO ENTRE OS ANOS DE 1951 E 1955. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.