A CONCEPÇÃO DE LITERATURA INFANTIL NA DÉCADA DE 50: UMA ANÁLISE NA REVISTA DO ENSINO (RS)

  • Raissa da Silva
  • Alessandro Carvalho Bica
Rótulo Literatura, Infantil, Leitura, Revista, Ensino

Resumo

Este trabalho surge a partir da pesquisa intitulada Educação, História e Políticas na região de abrangência da Universidade Federal do Pampa, e com ele busca-se fazer uma análise sobre as concepções que envolviam a Literatura Infantil na década de 50, a partir de sua inserção em um impresso pedagógico, a Revista do Ensino do Rio Grande do Sul. O corpus de análise utilizado para a investigação consistiu em quatro exemplares do periódico, que circularam nos meses de março e maio de 1952, setembro de 1953 e março-abril de 1954, disponíveis no site do Repositório Digital Tatu. A análise justifica-se a partir do entendimento de que a Revista do Ensino foi um veículo de orientações do Estado e, por isso, oficial e significativo, servindo como um material didático-pedagógico, conforme afirma Bastos (2002). Logo, a forma como a produção literária para a infância está ali representada traduz e sugere a concepção que se tinha sobre o gênero na época. Do ponto de vista teórico, são mobilizados conceitos envolvendo estudos da sociologia da leitura, com Chartier (1996) e Bretas (2013), e da história da educação, com Tambara, Quadros e Bastos (2007) e Romanelli (1993). A análise dos dados considerou: i) a ideia de infância, ii) a concepção de leitura literária e iii) o tipo de abordagem sugerida à literatura infantil nas edições das revistas pesquisadas como um todo, mas, em especial, nas seções Biblioteca Escolar Infantil e Contos para seus alunos, já que essas eram seções fixas do periódico. Como metodologia de pesquisa, utilizou-se o Paradigma Indiciário de Ginzburg (1989), centrado em resquícios, pistas, indícios e sinais que concedem uma concepção de literatura infantil na Revista do Ensino. Após analisar os periódicos, e como resultado à frente de sua época, constata-se a preocupação do mesmo com a formação da bibliotecária e com a adequação entre livro-leitor, assim como a tentativa de fazer da biblioteca escolar um espaço acolhedor, um jardim com flores, onde as crianças se sentissem acolhidas. Por outro lado, apresentava algumas limitações como à utilidade dos livros, separando-os em úteis e recreativos, utilizando a categoria útil como forma de fixar a criança na sua comunidade, utilizando sugestões de profissões comuns à época. Conclui-se que a o veículo de comunicação do Estado tinha o interesse em contemplar questões referentes à Literatura Infantil em seus periódicos, embora as inserções fossem mínimas, e às vezes com assuntos moralistas, e de caráter civilizatório-formador. Por mais que em muitas vezes o hábito da leitura fosse como vínculo para a escolarização, o impresso equilibrava o controle com acesso, altamente justificados por seu contexto histórico, a década de 50.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
DA SILVA, R.; CARVALHO BICA, A. A CONCEPÇÃO DE LITERATURA INFANTIL NA DÉCADA DE 50: UMA ANÁLISE NA REVISTA DO ENSINO (RS). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.