A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA PARA A AMÉRICA LATINA (2019-2020)

  • Maria Vilella
  • Maria Eduarda Xavier Vilella
  • Rafael Balardim
Rótulo Política, Externa, Brasileira, Relações, Internacionais, latino-americanas, Integração, Regional

Resumo

A partir de janeiro de 2019, Bolsonaro assume a presidência do Brasil. A mudança de um governo reflete em todas as áreas de um país, como no relacionamento com outros países. Por isso, analisar a atuação do Brasil frente ao Sistema Internacional, torna-se fundamental para compreender as modificações sofridas em sua política externa. Dessa forma, o objetivo dessa pesquisa é avaliar as mudanças ocorridas na política externa brasileira para a América Latina, no recorte de 1° de janeiro de 2019 a 31 de julho de 2020. A hipótese trabalhada é de esvaziamento da inserção do Brasil no Sistema Internacional do atual governo. A metodologia utilizada é de caráter qualitativa e explicativa, através de pesquisas bibliográficas e acompanhamento de atividades oficiais. A promulgação da Constituição Federal (1988) orienta a postura do Brasil quanto ao relacionamento com seus vizinhos, priorizando a integração da América Latina. Os princípios presentes na Constituição, como afirma Cervo (2008), conduziram a diplomacia brasileira ao respeito no Sistema Internacional, permitindo a continuidade de ações externas. A partir de 2019, o Brasil enfraqueceu as relações com os países da latino-americanos e perdeu seu papel de liderança regional. O Chile foi o primeiro país latino-americano a ser visitado por Bolsonaro, onde buscou estreitamento nas relações comerciais e apoiou o governo Piñera durante os protestos chilenos. Com a Argentina, o presidente brasileiro aproximou-se de Macri e distanciou-se do país após a vitória de Alberto Fernández em outubro (2019). A relação com a Venezuela, houve o reconhecimento do governo interino de Juan Guadó, expulsão do embaixador e de diplomatas chavistas do Brasil e dúvidas sobre possibilidade de intervenção no país. Quanto ao Uruguai, Bolsonaro apoiou a candidato La Calle nas eleições de outubro (2019), no entanto, o candidato rejeitou o apoio. As relações com o Paraguai tiveram momentos de tensões com a divulgação do documento de compra de energia mais cara da Usina de Itaipu pelo Paraguai. Com a Bolívia, o governo brasileiro não reconheceu o resultado das eleições de outubro (2019), apoiando a concepção de golpe por Evo Morales. Quanto a integração e cooperação com os países latino-americanos, as ações da política externa brasileira foram: Acordo Mercosul-União Europeia, saída da UNASUL, avaliação sobre possível saída do Mercosul, criação do Prosul e negação do pedido de ajuda no resgate de cidadãos latino-americanos da China. Os resultados parciais dessa pesquisa são: i) distanciamento de parceiros estratégico históricos; ii) perda da posição de pacificador da região; iii) intervenção em questões internas dos países; iv) abandono da integração regional; v) não priorização do multilateralismo; vi) quebra das relações diplomáticas. A partir de 2019, verificou-se que a política externa brasileira para a América Latina rompeu com suas características do acumulado histórico, deteriorando sua posição de liderança na região.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
VILELLA, M.; EDUARDA XAVIER VILELLA, M.; BALARDIM, R. A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA PARA A AMÉRICA LATINA (2019-2020). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.