OS ESTADOS UNIDOS NA ÓRBITA DO BRASIL: POLÍTICA EXTERNA DO BARÃO DO RIO BRANCO (1902-1912)

  • Maria Bueno
  • Nicoly Rossoni Correia
  • Kamilla Raquel Rizzi
Rótulo Política, externa, brasileira, Barão, Rio, Branco, Estados, Unidos

Resumo

Este artigo se propõe a analisar por que os dez anos que constituíram a gestão de José Maria da Silva Paranhos Júnior como ministro das Relações Exteriores no Itamaraty são considerados um divisor de águas na política externa brasileira. Deu-se atenção especial ao processo de aproximação política com os Estados Unidos, o que engloba a mudança do eixo diplomático de Londres para Washington. O problema de pesquisa se refere à forma como Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, alterou a perspectiva da diplomacia brasileira com fins de aproximar seus interesses aos EUA. A partir disso, tomou-se como hipótese inicial de pesquisa a necessidade compreendida pelo Barão de que o Brasil obtivesse um aliado importante como facilitador da inserção brasileira no cenário político internacional. Foi utilizada como metodologia a pesquisa explicativa com abordagem qualitativa, tomando como desígnio não apenas descrever os fenômenos ocorridos na PEB entre os anos de 1902 e 1912, como também identificar seus efeitos no sistema, a partir de levantamentos bibliográficos e da análise de documentos. Rio Branco, ao ver a ascensão de uma nova potência no continente, buscou meios de garantir a conservação da integridade territorial e da independência brasileiras, de forma a impulsionar as capacidades e preservar os interesses do Estado. Assim, apoiou-se em uma aliança não escrita com os Estados Unidos, julgando que um aliado poderoso seria capaz de suprir o vácuo na defesa e na estratégia do Brasil, e este adotaria um status de supremacia política na América Latina. O Brasil, por sua vez, auxiliaria os EUA no apoio diplomático no continente e em questões hemisféricas, buscando obter a aceitação dos latino-americanos à Doutrina Monroe. Constata-se que, apesar de o Estado brasileiro ter sido usado como instrumento imperialista dos Estados Unidos, Rio Branco conseguiu assegurar os interesses daquele por meio do alinhamento, tornando a aliança proveitosa para o Brasil. O que realmente importava era sua inserção no cenário internacional como um ator forte que pudesse dialogar, relacionar-se e até mesmo comercializar com as grandes potências da época, além de exercer papel importante como moderador no Cone Sul. De fato, foi reconhecido seu status de supremacia política latino-americana por outros Estados. No âmbito global, o Brasil teve moderada ascensão no sistema internacional e, às vistas regionais, prosperou em delinear as fronteiras com os países vizinhos. Vê-se que a aliança não escrita foi fundamental no que tange à formação da política externa brasileira, evidenciando a relevância do Barão do Rio Branco, responsável por redefinir os rumos das relações exteriores do país antes consideravelmente tímidas com uma estratégia exitosa de inserção internacional do Brasil.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
BUENO, M.; ROSSONI CORREIA, N.; RAQUEL RIZZI, K. OS ESTADOS UNIDOS NA ÓRBITA DO BRASIL: POLÍTICA EXTERNA DO BARÃO DO RIO BRANCO (1902-1912). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.