ANÁLISE DO ITINERÁRIO TERAPÊUTICO DOS ÓBITOS INVESTIGADOS PELO COMITÊ DE MORTALIDADE POR AIDS EM URUGUAIANA: ESTUDO DESCRITIVO

  • Maria Grutzmacher
  • Brenda Maria Chaves Gomes
  • Pedro Henrique Drehmer de Vargas
  • Beatriz Sanday
  • Maria Aparecida Bofill
  • Lucas Pitrez Da Silva Mocellin
Rótulo HIV, aids, Mortalidade, Comitês, mortalidade, Itinerário, terapêutico

Resumo

Uruguaiana é considerado município prioritário para o enfrentamento do HIV/aids no Rio Grande do Sul. Logo, a Secretaria Municipal de Saúde criou, em 2017, o Comitê de Mortalidade por aids (CMaids) de Uruguaiana, visando fortalecer o combate ao agravo. O objetivo deste estudo é analisar o itinerário terapêutico dos óbitos por Aids que ocorreram em 2018 e 2019 em Uruguaiana. A presente pesquisa possui caráter descritivo. Os dados foram coletados nos sistemas de informação SINAN-aids, SIM, SISCEL e SICLOM, assim como em questionário online de investigação dos casos preenchido por todos os serviços de saúde do município. As informações são organizadas em uma linha do tempo que detalha o itinerário terapêutico percorrido pelo paciente, desde o primeiro atendimento na rede de atenção à saúde da cidade, até seu óbito. Em seguida, o caso em investigação é apresentado e discutido em reunião mensal com todos os representantes dos serviços de saúde que compõem o CMaids. Logo, são apontados fatores que determinaram direta ou indiretamente a morte, bem como a identificação de falhas, conforme Protocolo de Investigação de Óbito por HIV/aids do Ministério da Saúde, sendo caracterizadas em 5 eixos da comunidade e do indivíduo, dos profissionais de saúde, institucionais, sociais e intersetoriais. Análise descritiva foi realizada no software SPSS versão 22. Os resultados apresentados são referentes aos dados completos do ano de 2018 e parciais de 2019. Foram investigados 38 casos, dos quais 26 (68,4%) definiu-se serem óbitos relacionados à aids. Preenchimento incorreto de Declaração de Óbito foi detectado em 50% dos registros, sendo a principal causa da morte a insuficiência respiratória (26,9%). Com relação às falhas elencadas, em 65,4% dos casos verificou-se falha no eixo da comunidade e do indivíduo, sendo a maioria devido à má adesão ao tratamento (94,1%). Em 53,8% dos indivíduos houve falha no eixo profissionais da saúde, sobretudo por falta de oferta de teste rápido (85,7%). De forma análoga, em 42,3% dos casos ocorreu falha no eixo instituições, também por falta de oferta de teste rápido como o motivo mais comum (54,5%). No eixo sociais, as falhas ocorrem 23,1% dos casos, com a vulnerabilidade social dos sujeitos como principal aspecto (66,7%). Já no eixo intersetoriais, houve falha em 7,7% dos casos, destes todos por dificuldade de acesso ao serviço de saúde devido à distância. O número de falhas concomitantes para cada caso também foi analisado, e todos possuíam ao menos uma falha em sua trajetória terapêutica. Duas falhas concomitantes estiveram presentes em 10 casos (38,5%) e três falhas em 7 sujeitos (26,9%). Os resultados do estudo permitiram a reconstrução do itinerário terapêutico dos óbitos por aids, assim como a identificação dos principais problemas e fragilidades dos aspectos relacionados ao cuidado dos sujeitos. Tais achados auxiliarão na definição de estratégias efetivas para redução da mortalidade por aids no município.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
GRUTZMACHER, M.; MARIA CHAVES GOMES, B.; HENRIQUE DREHMER DE VARGAS, P.; SANDAY, B.; APARECIDA BOFILL, M.; PITREZ DA SILVA MOCELLIN, L. ANÁLISE DO ITINERÁRIO TERAPÊUTICO DOS ÓBITOS INVESTIGADOS PELO COMITÊ DE MORTALIDADE POR AIDS EM URUGUAIANA: ESTUDO DESCRITIVO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.