DELIRIUM E TEMPO DE INTERNAÇÃO: CORRELAÇÕES EM IDOSOS ADMITIDOS EM UM SERVIÇO HOSPITALAR DE EMERGÊNCIA

  • Danilo Alencar
  • Ariel Eduardo Billig
  • Melissa Agostini Lampert
  • Renata Rojas Guerra
Rótulo Delirium, Idoso, Serviço, hospitalar, emergência, Tempo, internação

Resumo

Introdução: A internação propicia o aparecimento de uma cascata de complicações à população idosa. O delirium é uma das síndromes mais comuns nesse cenário, principalmente quando admitida pelo serviço de emergência, despontando como um espaço fundamental para a construção de um aporte adequado e identificação precoce de sinais e sintomas, possibilitando uma evolução significativamente melhor do quadro. Delirium pode ser considerado como uma insuficiência cerebral aguda, onde sua definição oficial é determinada pelo The Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders 5 como um distúrbio na atenção e na consciência que se desenvolve de forma aguda e sua gravidade é flutuante durante o dia. Os mecanismos fisiopatológicos do delirium ainda são pouco claros, mas os principais modelos indicam um desequilíbrio de neurotransmissores e neuroinflamação. Apesar de ser uma patologia comum entre idosos hospitalizados, segue sendo pouco reconhecida e subdiagnosticada, acarretando piora do quadro clínico e sobrecarga ao acompanhante. Objetivo: Verificar a presença de delirium em idosos que ingressam no Pronto Socorro do Hospital Universitário de Santa Maria e sua relação com o tempo de internação. Métodos: Estudo quantitativo, transversal exploratório que analisou os dados relacionados ao Confusion Assessment Method e ao tempo de internação, utilizando-se do teste t. O período analisado no estudo é entre os meses de julho e dezembro de 2019. Resultados: Dos 731 participantes, Delirium foi identificado em 98 (13,41%) participantes e óbito em 119 (16,27%). Houve associação de delirium com tempo de permanência. O tempo de permanência para pacientes com Confusion Assessment Method positivo foi de 5,56 dias, mediana 4 dias, mínimo e máximo de 0 a 49 dias respectivamente. Para pacientes com Confusion Assessment Method negativa, o tempo de permanência foi de 4,21 dias, mediana de 2 dias, mínimo e máximo de 0 a 58 dias respectivamente. Conclusão: O tempo de permanência dos pacientes com delirium foi maior quando comparado com pacientes que não foram diagnosticados com a doença (p = 0,0667), corroborando com o indicado na literatura. Um estudo multicêntrico realizado no Canada indicou que um episódio de delirium aumenta o tempo de permanência hospitalar em 4 dias e, portanto, tem implicações importantes para os pacientes e pode contribuir para a superlotação. Os resultados descritos alertam para a alta incidência de delirium em unidades de emergência e sua forte relação com um pior prognóstico.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
ALENCAR, D.; EDUARDO BILLIG, A.; AGOSTINI LAMPERT, M.; ROJAS GUERRA, R. DELIRIUM E TEMPO DE INTERNAÇÃO: CORRELAÇÕES EM IDOSOS ADMITIDOS EM UM SERVIÇO HOSPITALAR DE EMERGÊNCIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.