VIGILÂNCIA DO ÓBITO FETAL: UM PANORAMA MATERNO-FETAL DOS FATORES ASSOCIADOS NA REGIÃO CENTRAL DO RIO GRANDE DO SUL

  • Virgínia Reinert
  • Virgínia Nascimento Reinert
  • Luize Stadler Bezerra
  • Júlia Formenti Carrer
  • Patrícia Faggion Schramm
  • André Luiz Loeser Corazza
  • Cristine Kolling Konopka
Rótulo Óbito, fetal, assistência, pré-natal, gestação, alto, risco, avaliação, resultados, cuidados, saúde

Resumo

Óbito fetal caracteriza-se pela morte do produto da concepção antes da expulsão completa do corpo materno com peso ≥ 500 gramas, idade gestacional (IG) ≥ 20 semanas ou estatura ≥ 25 cm quando não conhecida a IG. Em sua maioria, está relacionado a condições maternas e fetais evitáveis, sendo a qualidade da assistência de pré-natal (PN) intimamente relacionada com diagnosticar e tratar afecções maternas de potencial evolução para óbito fetal. Em vista de um apropriado aconselhamento e prevenção de novos episódios, é preciso uma avaliação acurada dos casos pela Comissão de Mortalidade Fetal, com revisão da causa da morte, dos dados clínicos e dos achados de necropsia e anatomopatológico. O presente trabalho tem como objetivo analisar a prevalência e as principais causas de óbitos fetais em um hospital universitário da região central do Rio Grande do Sul, assim como características maternas e patologias associadas. Realizado um estudo descritivo, retrospectivo, transversal, baseado na análise de prontuários maternos e registros de óbitos fetais (idade gestacional ≥ 20 semanas e/ou peso ≥ 500g) atendidos no Hospital Universitário de Santa Maria entre janeiro de 2012 e junho de 2017. Foi realizada análise descritiva dos resultados. Na amostra foram incluídos 151 casos de óbito fetal. A análise mostrou que 54,9% das gestantes possuíam ensino fundamental completo e 18,5% ensino médio completo. Dentre as principais condições maternas apresentadas na admissão estão hipertensão (58,9%), seguida de diabetes (31,1%), sífilis (27,2%) e pré-eclâmpsia (15,9%), sendo que 26,5% das diabéticas eram diabéticas gestacionais. Sobre a história gestacional prévia, 34,4% eram primigestas, 44,4% multíparas e 13,9% possuíam natimorto prévio. Quanto ao uso de substâncias, 15,2% relatou uso de substâncias lícitas ou ilícitas como tabaco (13,2%), cocaína ou crack (2,7%) e álcool (1,3%) durante a gestação. Quanto às características do feto, prematuridade extrema ocorreu em 32,6%, malformação fetal em 13,2%, em sua maioria possuíam peso < 2500g (73,5%) e IG entre 28 e 36+6 semanas (45,7%). Causas gestacionais corresponderam a 43% dos óbitos, cujos principais representantes foram corioamnionite em 33,1% e descolamento de placenta em 9,9% das mortes fetais. Causas maternas corresponderam a 45,7% dos casos, sendo 21,2% por sífilis e 14,6% por hipertensão. Causas fetais (6%) e causas relacionadas ao parto (0,7%) foram menos prevalentes. Observa-se neste estudo que as causas de mortalidade fetal foram variáveis, de baixa complexidade na sua maioria e, na presença de assistência PN adequada, evitáveis. Acredita-se, portanto, que é necessário constante monitoramento da qualidade do PN realizado na região, bem como da adesão ao mesmo por parte das gestantes, a fim de diminuir as causas evitáveis de óbito fetal.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
REINERT, V.; NASCIMENTO REINERT, V.; STADLER BEZERRA, L.; FORMENTI CARRER, J.; FAGGION SCHRAMM, P.; LUIZ LOESER CORAZZA, A.; KOLLING KONOPKA, C. VIGILÂNCIA DO ÓBITO FETAL: UM PANORAMA MATERNO-FETAL DOS FATORES ASSOCIADOS NA REGIÃO CENTRAL DO RIO GRANDE DO SUL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.