DOENÇA HIPERTENSIVA GESTACIONAL: A IMPORTÂNCIA DO PRÉ-NATAL PARA PREVENIR DESFECHOS DESFAVORÁVEIS

  • Renatha Marques
  • Jessica Marder
  • Sigriny Victória Rezer Bertão
  • Viviane Cunha Silva
  • Gustavo de Lemos Souza
  • Cristine Kolling Konopka
Rótulo Gestação, alto, risco, Hipertensão, Pré-natal

Resumo

As síndromes hipertensivas da gestação são clinicamente relevantes pela expressiva morbimortalidade materno-fetal. Dentre todas as causas de óbito materno, 20% a 25% são resultantes de hipertensão na gestação. Hipertensão arterial na gestação é definida como a constatação de pressão arterial sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) ≥90 mmHg e pode ser sinal clínico de um quadro sistêmico grave. Classifica-se a doença hipertensiva na gestação em: hipertensão crônica (HC), hipertensão gestacional (HG), pré-eclâmpsia sobreposta à HC e pré-eclâmpsia (PE)/eclâmpsia (E). O trabalho tem como objetivo analisar fatores associados e descrever a prevalência de doenças hipertensivas em parturientes. É um estudo transversal envolvendo as puérperas que tiveram o parto realizado no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) entre janeiro de 2017 e junho de 2018. Os dados foram coletados por meio de entrevistas, utilizando questionário, caderneta da gestante e análise de prontuário eletrônico. Foi realizada análise descritiva dos resultados e a associação entre as variáveis foi verificada pelo teste do Qui-quadrado, com nível de significância de 5% (p valor < 0,05). Em uma amostra de 3156 gestantes, 981 apresentavam hipertensão (31,1%), sendo que 3,7% tinham hipertensão crônica; 12,4%, hipertensão gestacional; 1,8%, PE sobreposta à HC e 13,2%, pré-eclâmpsia. Complicações de PE, como síndrome HELLP e eclâmpsia, foram pouco frequentes (0,4% e 0,3% respectivamente). Houve associação entre hipertensão e Diabetes mellitus (DM), tanto DM tipo II quanto DM gestacional (p < 0,001). Verificou-se, ainda, associação entre hipertensão na gestação e acompanhamento em pré-natal de alto risco (p < 0,001). Além disso, foi encontrada associação entre a ocorrência de hipertensão e restrição de crescimento fetal (p < 0,001). Quanto à via de parto, houve associação entre ser hipertensa e parto cesariano (p < 0,001). Em relação ao recém-nascido, observou-se associação entre hipertensão materna e: baixo peso ao nascer (p < 0,010) e maior frequência de admissão do recém-nascido em Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN) (p < 0,000). Porém, não houve associação com idade gestacional ao nascimento, baixos índices de APGAR no quinto minuto, morte fetal ou neonatal. O número de gestantes hipertensas foi maior do que o descrito na literatura, fato que pode ser explicado pelo hospital analisado ser terciário, sendo referência para gestações e partos com maior risco. O acompanhamento destas gestantes, em sua maioria, no pré-natal de alto risco, pode ter contribuído para que tivessem desfechos neonatais semelhantes aos de não hipertensas. Ademais, o hospital estudado mostrou-se preparado para atendimento de complicações neonatais decorrentes da doença hipertensiva gestacional, uma vez que, apesar de maior número de internações em UTIN, os desfechos perinatais tenham sido semelhantes entre os dois grupos.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
MARQUES, R.; MARDER, J.; VICTÓRIA REZER BERTÃO, S.; CUNHA SILVA, V.; DE LEMOS SOUZA, G.; KOLLING KONOPKA, C. DOENÇA HIPERTENSIVA GESTACIONAL: A IMPORTÂNCIA DO PRÉ-NATAL PARA PREVENIR DESFECHOS DESFAVORÁVEIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.