PATOLOGIAS ASSOCIADAS A PARTURIENTES NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA MARIA

  • Gabriela de Moura
  • Luiza Maria Venturini da Costa
  • Julia Formenti Carrer
  • Natália Evaldt Steigleder
  • Eloisa Piano Cerutti
  • Cássia dos Santos Wippel
Rótulo gestação, parto, desfechos, gestacionais, patologia, maternas, pré-natal

Resumo

A gestação é um fenômeno fisiológico, que evolui sem intercorrências na maioria dos casos. Porém, uma pequena parcela das gestantes cursa com patologias que aumentam a probabilidade de evolução desfavorável para a gestante e/ou o feto, com consequente aumento de morbidade materna e perinatal. Considerando que é possível prevenir a maioria das mortes e complicações na gestação por meio de acompanhamento pré-natal (PN) e assistência ao parto adequados, torna-se fundamental a atenção à prevenção, diagnóstico e manejo de patologias associadas à gestação. Objetivo deste trabalho é analisar as patologias maternas e os desfechos gestacionais em parturientes atendidas no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), entre janeiro de 2017 e junho de 2018. Realizou-se estudo transversal, prospectivo, estruturado por meio de entrevista, análise de cartão pré-natal e prontuário médico de todas as pacientes que tiveram o parto realizado no HUSM durante o período citado. Foi realizada análise descritiva das variáveis e a associação entre elas foi verificada pelo teste do qui-quadrado, com nível de significância de 5% (p < 0,05). Dos 3156 casos que constituíram a população do estudo, 11,7% tinham idade inferior a 18 anos, 72,7% de 19 até 34 anos e 15,7% mais de 35 anos. Dessas pacientes, 77,5% apresentaram complicações gestacionais, sendo hipertensão arterial a mais prevalente (31,1%), das quais 42,45% apresentavam critérios para pré-eclâmpsia isolada e 5,79% para a doença sobreposta à hipertensão crônica. Foram classificadas 16,1% das gestantes como diabéticas, e dentre estas, 88,75% foram casos de Diabetes mellitus gestacional. Entre as patologias infecciosas na primeira metade da gestação, evidenciou-se a sorologia positiva para o HIV em 1,4% das pacientes, sífilis em 1,9% e toxoplasmose 0,6%. Enquanto na segunda metade da gestação, esses números foram de 1,6% para HIV, 3,1% para sífilis e 1,4% para toxoplasmose. Infecção do trato urinário (ITU) ocorreu em 21,9% das pacientes, destas, 16% com episódio único, 4,2% com ITU de repetição e 1,7% com pielonefrite. Outras importantes complicações foram trabalho de parto (TP) pré-termo (11,8%), ruptura prematura de membranas (8,7%), oligodrâmnio (1,6%), restrição de crescimento fetal (2,8%) e descolamento prematuro de placenta (1,3%). Em relação ao PN, 82,7% realizaram PN adequado. Ter antecedentes patológicos associou-se a maior ocorrência de cesariana e de complicações no TP e cesárea (p < 0,001). A elevada prevalência de morbidades reafirma a importância do atendimento PN adequado e da qualificação das equipes de saúde para a identificação precoce de fatores de risco e manejo dessas condições. Conhecer as doenças mais prevalentes entre as gestantes é fundamental para a estruturação da rede de saúde orientada a prevenir intercorrências e promover a saúde materna e fetal. Essas intervenções se mostram fundamentais para a redução da mortalidade materna e infantil, significativa meta visada pelas políticas de saúde.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
DE MOURA, G.; MARIA VENTURINI DA COSTA, L.; FORMENTI CARRER, J.; EVALDT STEIGLEDER, N.; PIANO CERUTTI, E.; DOS SANTOS WIPPEL, C. PATOLOGIAS ASSOCIADAS A PARTURIENTES NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA MARIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.