PANORAMA DE PARTOS REALIZADOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA MARIA CONFORME CLASSIFICAÇÃO DE ROBSON

  • Luize Bezerra
  • Luize Stadler Bezerra
  • Carolina Yumi Kubo
  • Caroline Soares Balaguer
  • Júlia Formenti Carrer
  • Luiza Maria Venturini da Costa
  • Cristine Kolling Konopka
Rótulo classificação, robson, gestação, cesariana

Resumo

A cesariana, via de parto cirúrgica, quando indicada corretamente, contribui para a diminuição da morbimortalidade materna e perinatal. Ainda que segura envolve riscos como sangramento, eventos tromboembólicos, infecções e dor crônica. A taxa ideal de cesáreas varia entre 10% e 15% segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que, taxas maiores que 10% não demonstraram benefício na redução de mortalidade materna e neonatal. Sendo assim, a OMS sugeriu uso da classificação de Robson para melhorar o padrão de avaliação e monitorização das taxas de cesariana. Essa classificação, distribui todas as gestantes em 10 grupos em ordem crescente de probabilidade de evolução para cesariana. Os grupos, divididos de acordo com características como: paridade, início do trabalho de parto, idade gestacional, apresentação fetal e gemelaridade, auxiliam a otimizar as indicações de cesariana e interpretar o perfil dos partos realizados no serviço. Este trabalho tem como objetivo analisar partos vaginais e cesáreos do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) com base na Classificação de Robson, para auxiliar na compreensão das reais indicações de cesárea e do perfil dos partos realizados neste serviço. Realizou-se estudo transversal, retrospectivo, estruturado através de entrevista e análise de prontuário eletrônico de todas as puérperas que tiveram parto realizado no HUSM entre janeiro de 2017 e junho de 2018. Foi realizada análise descritiva dos resultados. Das 3156 puérperas entrevistadas, 62,8% eram multíparas, sendo a média de partos prévios 1,98. A taxa geral de cesarianas foi de 51% e a principal indicação foi iteratividade (33,7%) seguida de outras causas (17,6%) e situação fetal não tranquilizadora (15,1%), falha de indução (11,9%) e desproporção cefalopélvica (10,5%). O grupo mais frequente da classificação de Robson foi o 5 com 28,5% das mulheres seguido pelos grupos 2 (15,7%) e 1 (12,6%). Os grupos mais frequentes com parto cesariano foram do 5 ao 10 sendo os grupos 6, 7 e 9 com 100% de taxa de cesáreas. A taxa de cesáreas do grupo 10 foi de 50,5%. A contribuição relativa dos grupos 1, 2 e 5 para a taxa global de cesáreas foi de 74,5%. A Classificação de Robson permite monitorar as indicações e vias de parto para desenvolver ações na redução das taxas de cesariana conforme as características das gestantes atendidas. Os dados analisados mostram uma taxa de cesariana maior no HUSM em relação a recomendada pela OMS, o que pode refletir o fato de o hospital atender principalmente gestantes de alto risco. A OMS aponta que os grupos 1, 2 e 5 combinados usualmente contribuem com 66% das cesáreas. Neste trabalho, a taxa relativa de cesarianas dos três grupos foi maior que o usual, e, portanto, devem ser o foco da atenção do hospital ao tentar diminuir a taxa de cesárea.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
BEZERRA, L.; STADLER BEZERRA, L.; YUMI KUBO, C.; SOARES BALAGUER, C.; FORMENTI CARRER, J.; MARIA VENTURINI DA COSTA, L.; KOLLING KONOPKA, C. PANORAMA DE PARTOS REALIZADOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA MARIA CONFORME CLASSIFICAÇÃO DE ROBSON. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.