DIABETES NA GESTAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A VIA DE NASCIMENTO: DADOS NO HUSM

  • Giana de Barros
  • Carolina Gross Sostizzo
  • Julia Barbian
  • Eloisa Piano Cerutti
  • Isadora Figueiredo Bitencourt
  • Luciane Flores Jacobi
Rótulo Diabetes, gestação, Parto, Cesariana, Evolução, parto, prevalência

Resumo

O Diabetes mellitus é uma síndrome ocasionada pela deficiência de insulina, associada ou não à resistência insulínica, ao metabolismo anormal dos carboidratos, lipídeos e proteínas. Essa patologia pode ser classificada conforme a etiologia em Diabetes mellitus tipo 1, Diabetes mellitus tipo 2 e Diabetes mellitus gestacional (DMG). O tipo 1 está relacionado com a destruição autoimune das células beta pancreáticas; o tipo 2 possui uma fisiopatologia complexa e multifatorial que engloba fatores genéticos e ambientais (como obesidade visceral, síndrome metabólica) e o DMG consiste na hiperglicemia diagnosticada durante a gestação, que pode persistir após o parto ou não. O controle inadequado da glicemia das gestantes diabéticas tipo 1, tipo 2 ou DMG pode causar um aumento significativo no risco de macrossomia fetal, prematuridade, síndrome da angústia respiratória do recém-nascido, hipoglicemia e hiperbilirrubinemia fetais. Portanto, o objetivo desta pesquisa foi analisar a evolução do parto e as complicações associadas ao diabetes gestacional em parturientes atendidas no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) nos anos de 2017 e 2018. Foi conduzido um estudo transversal incluindo todas as pacientes que tiveram parto realizado no HUSM, durante o período citado. Os dados foram obtidos a partir de análise de prontuários eletrônicos. Foi realizada análise descritiva das variáveis e a associação entre elas foi verificada pelo teste do Qui-quadrado, com nível de significância de 5% (p valor < 0,05). Em amostra de 3156 pacientes a prevalência de diabetes na gestação foi 16%. Observou-se que, em relação ao trabalho de parto (TP), 47,9% das gestantes não-diabéticas evoluíram para TP espontâneo, em comparação com apenas 28% das diabéticas. Quanto à via de nascimento, 51,5% das não-diabéticas evoluíram para parto vaginal; percentual significativamente (p < 0,05) superior que as diabéticas (36%). As parturientes diabéticas que necessitaram de cesariana (64%), tiveram como principais indicações falha na indução (11,4%); iteratividade (35,1%) e situação fetal não tranquilizadora (12,3%). Concluiu-se que, apesar de não haver indicação estrita de cesariana para pacientes com diabetes gestacional, no HUSM, houve uma maior prevalência de cesarianas dentro desse grupo. Os riscos materno-fetais associados à diabetes são determinantes para a escolha da via de nascimento, contudo é importante que esteja bem definida a necessidade de cesariana, tendo em vista as consequências dessa cirurgia para as gestações futuras e as vantagens do parto normal para mãe e bebê. Sobretudo, a prevenção e o manejo adequado do diabetes na gestação são fundamentais para desfechos perinatais salutares, o que reforça a necessidade de políticas de saúde voltadas ao controle da obesidade e à educação alimentar, bem como de um sistema de saúde integrado e qualificado para atender e orientar, nesse contexto, as mulheres em idade fértil e as gestantes.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
DE BARROS, G.; GROSS SOSTIZZO, C.; BARBIAN, J.; PIANO CERUTTI, E.; FIGUEIREDO BITENCOURT, I.; FLORES JACOBI, L. DIABETES NA GESTAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A VIA DE NASCIMENTO: DADOS NO HUSM. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.