RELAÇÃO ENTRE MARCADORES BIOQUÍMICOS, DE ESTRESSE OXIDATIVO, ANTROPOMÉTRICOS E HIPERTENSOS EM UMA POPULAÇÃO AUTODECLARADA NEGRA

  • Débora Rubio
  • Lyana Feijoo Berro
  • Lauren Alicia Flores Viera dos Santos
  • Vanessa Retamoso
  • Patricia Maurer
  • Jacqueline Da Costa Escobar Piccoli
  • Vanusa Manfredini
Rótulo Negros, hipertensão, marcadores, bioquímicos, estrese, oxidativo

Resumo

O Brasil tem sua população composta majoritariamente por negros que sofrem com inequidades históricas em que fatores sociais e ambientais afetam as suas condições de saúde como pode ser verificado pela maior suscetibilidade que caucasianos a doença cardiovascular, incluindo insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio. Neste contexto, a hipertensão é considerada uma doença multifatorial, considerada um fator de risco relacionado à alta morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares e renais, configurando risco adicional entre negros. O estudo de marcadores que possam estar relacionados com maior risco de hipertensão em negros, pode auxiliar na prevenção precoce de eventos cardiovasculares na população negra. Assim, o objetivo do trabalho foi avaliar se há associação entre hipertensão e marcadores de estresse oxidativo e parâmetros bioquímicos, em uma população autodeclarada negra de Uruguaiana-RS. A coleta foi realizada na comunidade, através de convite e todos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, responderam a um questionário estruturado, coletaram a amostra biológica, aferiram a pressão arterial e avaliações antropométricas. As análises bioquímicas foram feitas com kit comerciais em equipamento automatizado ChemWell Labtest e as demais análises de estresse oxidativo foram realizadas em espectrofotômetro através de metodologias padrões. Os resultados foram plotados em planilha e as análises estatísticas foram feitas no programa SPSS 20.0. As análises descritivas foram realizadas (frequência e médias ± desvio padrão) e as diferenças entre as médias foram feitas através de análise teste t de student, o p<0,05 foi considerado significativo. O estudo foi aprovado pelo CEP (número de parecer 954.211). Participaram 158 sujeitos, com idade média de 46,0±14,2 anos, sendo 31 homens e 127 mulheres. A prevalência de hipertensão foi de 63,3% (n=100). As análises de diferenças entre as médias entre os dois grupos (hipertensos x não hipertensos) demonstraram que os hipertensos apresentaram níveis significativamente maiores de glicose (p=0,001), colesterol total (p=0,006) e LDL (p=0,001) e significativamente menores de HDL (p=0,028) quando comparados com não hipertensos. No perfil oxidativo, hipertensos apresentaram aumento significativo no estado oxidante total (p=0,041) e de oxidação avançada de proteínas (p=0,036), aumento de TBARS (dano a lipídeos) (p=0,045), na carbonilação de proteínas (p=0,001) e de óxido nítrico (p=0,036), quando comparados a não hipertensos. Verifica-se um pior perfil em marcadores bioquímicos e de estresse oxidativo entre negros hipertensos o que pode levar a um maior risco cardiovascular. E ainda os marcadores de dano oxidativo alterados podem ser indicativos de mecanismo celular envolvido na maior morbimortalidade de hipertensos negros.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
RUBIO, D.; FEIJOO BERRO, L.; ALICIA FLORES VIERA DOS SANTOS, L.; RETAMOSO, V.; MAURER, P.; DA COSTA ESCOBAR PICCOLI, J.; MANFREDINI, V. RELAÇÃO ENTRE MARCADORES BIOQUÍMICOS, DE ESTRESSE OXIDATIVO, ANTROPOMÉTRICOS E HIPERTENSOS EM UMA POPULAÇÃO AUTODECLARADA NEGRA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.