AVALIAÇÃO TOXICOLÓGICA DO EXTRATO DA AYAHUASCA EM CAENORHABDITIS ELEGANS: O QUE O CHÁ MAESTRO NOS REVELA?

  • Andressa Belmonte
  • Giana de Paula Cognato
  • Ana Paula Ardais
  • Daiana Silva de Avila
Rótulo Ayahuasca, DMT, serotonina, Caenorhabditis, elegans

Resumo

A Ayahuasca é uma bebida enteógena utilizada em ambiente sagrado para o despertar evolutivo pessoal e coletivo que se dá através da religião nomeada Santo Daime. Os efeitos deste provém de duas plantas majoritariamente encontradas no chá advindas da Floresta Amazônica, as folhas da Psycotria viridis - conhecida popularmente como Chacrona - e as cascas dos cipós da Banisteriopsis caapi Mariri. São encontradas nestas plantas agonistas não seletivos dos receptores de serotonina (N-N-dimetiltriptamina DMT) e alcalóides (b-carbolinas) inibidores da monoamina oxidase - A (IMAO), respectivamente. Ainda há poucos estudos sobre a segurança de dosagens usuais da Ayahuasca na terapêutica, desta maneira utilizamos o verme Caenorhabditis elegans, um excelente modelo alternativo para avaliação toxicológica por suas inúmeras vantagens: o rápido ciclo de vida e reprodução, baixo custo e menores quantidades necessárias de extrato para os estudos. Sendo assim, este trabalho procurou analisar a toxicidade da Ayahuasca no C. elegans nas concentrações próxima as usuais de 1mg/mL, 10mg/mL, 50mg/mL e 75mg/ml em uma exposição aguda e única durante 1 hora. Após foram avaliados os parâmetros toxicológicos de taxa de sobrevivência, movimento natatório, tamanho corporal e tamanho da progênie. Neste estudo nossos resultados não mostraram toxicidade significativa nas concentrações testadas em nenhum dos parâmetros analisados. O tratamento não afetou o desenvolvimento do verme nem a taxa de sobrevivência, indicando um baixo nível danoso. Além disso, a Ayahuasca não causou redução no tamanho da ninhada do verme descartando um efeito reprotóxico, o qual foi encontrado na literatura. Também não houve redução do tamanho corporal, indicando que neste protocolo de exposição, o chá do Daime não teve potencial tóxico. Cabe ressaltar que este foi o primeiro estudo sobre os efeitos da exposição aguda à Ayahuasca no modelo C. elegans. Isto posto, é necessária uma maior investigação sobre os efeitos da bebida para garantir a segurança aos praticantes da religião do Santo Daime.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2020-11-20
Como Citar
BELMONTE, A.; DE PAULA COGNATO, G.; PAULA ARDAIS, A.; SILVA DE AVILA, D. AVALIAÇÃO TOXICOLÓGICA DO EXTRATO DA AYAHUASCA EM CAENORHABDITIS ELEGANS: O QUE O CHÁ MAESTRO NOS REVELA?. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.