ADOECIMENTO DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO INFANTIL: UM ESTUDO DE FATORES DESENCADEANTES

  • Lidiele Bueno
  • Nathalie Yelena Plucinski Cardoso Ribas
  • Susane Graup Do Rego
Rótulo Saúde, Mental, Docentes, Educador, Infância

Resumo

Inúmeros fatores podem refletir na saúde docente, influenciando seu trabalho e o processo de ensino-aprendizagem, além de elevar o índice de absenteísmo destes profissionais. Alguns fatores e sintomas comuns são sinais de que algo mais grave pode estar ocorrendo. Diante dessas informações, o presente estudo teve por objetivo analisar a presença de fatores desencadeantes de transtornos mentais em docentes da Educação Infantil de Uruguaiana/RS. Trata-se de um estudo descritivo de abordagem quanti-qualitativa, no qual foram convidados docentes da Educação Infantil da rede municipal de ensino. De acordo com as informações da Secretaria Municipal de Educação, 236 docentes atuam nesse nível de ensino e entre os meses de abril à agosto de 2020, todos foram convidados à participar do estudo via redes sociais e e-mail institucional das escolas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição dos pesquisadores (protocolo nº 32908620.5.0000.5323). Para o desenvolvimento deste estudo, os participantes responderam algumas perguntas do Self Report Questionnaire (SRQ-20): Sente-se nervoso(a), tenso(a) ou preocupado(a)? Você tem dores de cabeça frequente? Você se cansa com facilidade? e Você dorme mal?. Participaram 123 docentes, dos quais 106 eram regentes de sala, 4 de Espanhol e 13 de Educação Física, sendo a maioria do sexo feminino (97,7%). Os resultados evidenciaram que 73,2% dos participantes sentem-se nervosos ou preocupados, 55,3% sentem dores de cabeça frequentemente, 43,9% cansam-se com facilidade e 43,1% responderam que dormem mal. Estas questões relacionam-se com grupos de sintomas conhecidos por Humor Depressivo-Ansioso, Sintomas Somáticos e Decréscimo de Energia Vital. Deve-se atentar aos aspectos relacionados às dores de cabeça, cansaço, insônia e nervosismo, sabendo que podem evoluir, principalmente em decorrência do volume do trabalho escolar. Isso faz com que o profissional precise se ausentar constantemente de suas atividades laborais, podendo ocasionar também prejuízo na aprendizagem dos alunos. Ainda, cabe destacar que as coletas foram realizadas durante o período pandêmico de COVID-19, no qual os docentes desenvolvem atividades pedagógicas de suas residências, o que pode ter contribuído para a alta frequência de respostas afirmativas. Assim, as respostas podem refletir suas incertezas profissionais, medo, preocupações e dificuldades quanto à utilização de recursos tecnológicos, entre outros. Com base nos resultados é possível concluir que existe uma alta prevalência de fatores que podem desencadear transtornos mentais entre os docentes da Educação Infantil. Dessa forma, é necessária a adoção de estratégias por parte da gestão, visando a identificação destes sintomas, bem como, a criação de políticas públicas de promoção de autocuidado e cuidado coletivo para com a saúde dos docentes, visando proporcionar-lhes melhores condições de vida e de trabalho.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
BUENO, L.; YELENA PLUCINSKI CARDOSO RIBAS, N.; GRAUP DO REGO, S. ADOECIMENTO DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO INFANTIL: UM ESTUDO DE FATORES DESENCADEANTES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.