SÍFILIS CONGÊNITA EM URUGUAIANA: UM FATOR DE RISCO PARA A PARALISIA CEREBRAL

  • Joao Soares
  • João Henrique Mendes Soares
  • Christian Caldeira Santos
  • Rodrigo de Souza Balk
Rótulo Sífilis, congênita, Paralisia, cerebral, Epidemiologia

Resumo

A Sífilis Congênita é uma das causas da paralisia cerebral no período gestacional. Esta infecção decorre do Treponema pallidum que acomete o encéfalo em formação. Assim, objetiva-se analisar as notificações de Sífilis Congênita e investigar a existência de paralisia cerebral causada pela infecção em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, Brasil entre 2009-2019. O estudo foi quantitativo, descritivo, transversal e documental, com dados retirados do site DATASUS do Ministério da Saúde e do Plano Municipal de Saúde de Uruguaiana 2018-2021, em setembro de 2020. A análise se deu por meio de estatística descritiva e pela Correlação Linear de Pearson com significância de 5%. Considerou o coeficiente de correlação (r) de 0,10-0,39 fraco; de 0,40-0,69 moderado e de 0,70-1 forte. Nesse período, Uruguaiana apresentou 126 crianças com Sífilis Congênita (11,5±8,2) com correlação positiva, forte e significativa (r=0,72 e p=0,0116) entre a evolução anual e suas notificações. A meta municipal é reduzir os números de notificações para 10 até 2021, fato ocorrido em 2019 com nove notificações. Do total, 122 crianças apresentaram Sífilis Congênita recente no período e 96% (n=117) foram diagnosticadas com menos de sete dias de vida. Houve maior frequência de mães com faixa etária de 20-29 anos (n=64 [51%]), com menor escolaridade (máximo o ensino fundamental completo) (n=51 [40,5%]), de raça ou cor branca (n=76 [60,31%]), que fizeram o pré-natal (n=117 [92,85%]) e que apresentaram o diagnóstico materno da infecção neste período também (n=88 [69,84%]). Em 69% (n=87) dessas mulheres o esquema de tratamento da infecção foi inadequado/não realizado e em 44% (n=56) dos seus parceiros não houve o devido tratamento concomitante. Tais resultados coincidem com a tendência nacional no mesmo período, exceto pela variável raça ou cor, onde houve o predomínio da parda. Entende-se que as duas últimas variáveis possuem desfechos que propiciam a paralisia cerebral, entretanto em Uruguaiana não se encontrou dados oficiais de crianças com esta afecção causada pela Sífilis Congênita. Em Portugal 8,6% (n=6) dos casos de paralisia cerebral (n=70) ocorridos entre 2001-2010 foram causados por ela. No Brasil, em Ribeirão Preto, um estudo retrospectivo tentou identificar os fatores de riscos para a paralisia cerebral na rede pública de saúde entre 2010-2014, entretanto não foi possível identificar a Sífilis Congênita isoladamente no desfecho do estudo, pois foi abarcada pela dimensão ocorrências clínicas na gestante. Em Fortaleza, outro estudo encontrou uma taxa de 2,2% (n=6) de atraso sensório-motor em crianças com Sífilis Congênita não tratadas (n=272). Assim, pela forte correlação de notificações da Sífilis Congênita e a falta de dados de paralisia cerebral causada pela infecção em Uruguaiana, encoraja-se intensificar a vigilância do desenvolvimento sensório-motor neste público específico, visto esta ação ser preponderante para o diagnóstico da paralisia cerebral.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
SOARES, J.; HENRIQUE MENDES SOARES, J.; CALDEIRA SANTOS, C.; DE SOUZA BALK, R. SÍFILIS CONGÊNITA EM URUGUAIANA: UM FATOR DE RISCO PARA A PARALISIA CEREBRAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.