NEUROMITOS NA EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SOBRE ESTILOS DE APRENDIZAGEM

  • Ederson Bueno
  • Letícia Corrêa Vaz
  • José Antônio Ferreira Junior
  • Leandro Xavier da Silva
  • Mauren Assis De Souza
  • Pâmela Billig Mello Carpes
Rótulo estilos, aprendizagem, neuromitos, ensino-aprendizagem

Resumo

Com o avanço das pesquisas na área de neurociência, e com o aumento das ações de divulgação científica, tornou-se cada vez mais comum utilizar termos que provém de estudos do cérebro para embasar práticas pedagógicas. Entretanto, algumas vezes esses conhecimentos são mal interpretados, ou ainda divulgados de forma muito superficial, o que acarreta no surgimento dos neuromitos. Os neuromitos são inverdades que não são embasadas em evidências, ou que, de alguma forma, são distorcidas ao longo do tempo. Um dos neuromitos mais reproduzidos é sobre os estilos de aprendizado, o qual pressupõe que os alunos aprendem melhor de acordo com o seu estilo de aprendizado. Partindo desse pressuposto realizou-se uma revisão de literatura com artigos que trazem como tema os estilos de aprendizagem como neuromitos na educação, com o objetivo de apresentar os principais elementos que indiquem-nos como neuromito. A busca foi realizada no buscador Google Scholar com o termo neuromitos e estilos de aprendizagem, considerando as publicações entre os anos de 2019 e 2020, e somente de revistas qualis B2 ou mais. Ao todo, foram encontrados 19 resultados, que filtrados pelos critérios de inclusão, totalizaram 4 artigos. Foram selecionados os artigos de Lopes et al 2020, Altamirano et al 2019, Ferreira et al 2019 e Gómez et al 2019. Os artigos de Lopes 2019 e Ferreira 2019 ressaltam que há pouco conhecimento do público em geral e dos educadores nesta temática, e este conhecimento não está baseado em evidências, o que contribui para a manutenção da crença equivocada neste neuromito. Além disso, há pouca comunicação entre as áreas da neurociência, psicologia cognitiva e pedagogia, que são primordiais na educação. Outro ponto ressaltado pelo artigo de Gómez 2019, manifesta na secção Neuropsicologia y mejora del aprendizaje é que, apesar das preferências individuais para a aprendizagem, as áreas do cérebro não funcionam isoladamente, portanto, presumir que apenas um canal sensorial, sem a participação de outros, está envolvido no processamento de informações é completamente errado. Porém, o artigo de Altamiro 2019 analisa o perfil de estilos de aprendizagem baseados em Honey e Alonso e, apesar de não encontrar relação entre estilos de aprendizagem e idade ou ano de curso dos estudantes, mostra a relação entre os estilos preferenciais de aprendizagem e o rendimento dos alunos. Em conclusão, percebe-se que, por mais que os artigos tragam a citação de estilos de aprendizagem como neuromito, nenhum deles tem como foco central da pesquisa responder a questão: "a ideia de que considerar o estilo de aprendizagem do aluno melhora a aprendizagem é um mito?". Além disso, um dos estudos trouxe resultados corroborando de forma positiva o uso dos estilos de aprendizagem proposto por Honey e Alonso. Sendo assim, mais estudos específicos são necessários para trabalhar este neuromito e garantir a divulgação científica, baseada em evidências.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
BUENO, E.; CORRÊA VAZ, L.; ANTÔNIO FERREIRA JUNIOR, J.; XAVIER DA SILVA, L.; ASSIS DE SOUZA, M.; BILLIG MELLO CARPES, P. NEUROMITOS NA EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SOBRE ESTILOS DE APRENDIZAGEM. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.