A EXPOSIÇÃO À BROMOPRIDA CAUSA ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS E BIOQUÍMICAS EM DROSOPHILA MELANOGASTER

  • Luiz Junior
  • Matheus Chimelo Bianchini
  • Robson Luiz Puntel
Rótulo Acetilcolinesterase, Extrapiramidal, Receptores, D1, D2, Open-Field, Efeito, bifásico

Resumo

A bromoprida (Bromo) é um fármaco antiemético amplamente utilizado na prevenção e tratamento de episódios de êmese que atua via bloqueio dos receptores D2 de dopamina. Particularmente, o uso de bloqueadores de receptores D2 de dopamina está assoaciada a diferentes efeitos adversos extrapiramidais, tais como, acatisia, distonia, Parkinson-like e discinesia. Nessa perspectiva, a utilização de modelos alternativos pode ajudar a elucidar ainda mais os efeitos adversos causados por esses fármacos. Assim, surge a Drosophila melanogaster que é um modelo experimental com várias vantagens tais como: fácil manipulação, possui similaridade genética com os mamíferos e apresenta mecanismos bioquímicos e fisiológicos preservados em mamíferos. Portanto, o objetivo deste trabalho é avaliar os efeitos causados por uma exposição a Bromo sobre parâmetros comportamentais e bioquímicos em modelo de D. melanogaster. O estudo foi realizado utilizando 50 moscas adultas selvagens (13 dias de idade) de ambos os sexos expostas as concentrações de 0,5 e 2mg/mL. O ensaio comportamental de campo aberto foi realizado nos dias 2, 3 e 4 após o início da exposição. Por sua vez, o ensaio da atividade da enzima acetilcolinesterase (AChE) realizado no 3 e 4 dia. Os resultados foram analisados utilizando análise ANOVA de uma via seguido de Tukeys, quando apropriado. Os nossos resultados demonstraram que as moscas expostas a concentração de 2mg/mL de Bromo apresentaram um aumento significativo no número de cruzamentos no dia 3 seguido por uma diminuição significativa no dia 4. Além disso, em ambos os dias (3 e 4) a exposição a Bromo (2mg/mL) resultou em um aumento significativo na atividade da enzima AChE quando comparado com o grupo controle. O aumento na atividade da enzima AChE pode ter ocorrido em consequência do mecanismo de ação da Bromo, que consiste em retardar o relaxamento muscular do trato gastrointestinal. De fato, a Bromo atua bloqueando receptores de dopamina pré-sinápticos do tipo D2 que são acoplados à proteína Gi, o qual está envolvido no relaxamento muscular pela inibição da liberação de acetilcolina pós-sináptica. Por outro lado, os receptores D1 pré-sinápticos estão relacionados à contração muscular, pois são acoplados a proteína Gs envolvida na liberação de acetilcolina (ACh) pós-sináptica. Diante o exposto, sugerimos que a exposição a Bromo leva ao bloqueio dos receptores D2, enquanto os receptores D1 ainda estão funcionais e liberando ACh. Nesse contexto, haverá um aumento na atividade da AChE para metabolizar o excesso de ACh. Portanto, pode se afirmar que a exposição a Bromo causou uma alteração bifásica dos parâmetros comportamentais e aumento da atividade de AChE em D. melanogaster que contribui para o entendimento das síndromes extrapiramidais causados por este fármaco. Entretanto, ainda se fazem necessários mais estudos para compreender os mecanismos envolvidos nas alterações comportamentais associadas a Bromo utilizando esse modelo biológico de estudo.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
JUNIOR, L.; CHIMELO BIANCHINI, M.; LUIZ PUNTEL, R. A EXPOSIÇÃO À BROMOPRIDA CAUSA ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS E BIOQUÍMICAS EM DROSOPHILA MELANOGASTER. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.