PERFIL DE RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA DE MICRORGANISMOS ENCONTRADOS EM CELULARES DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE DE UM HOSPITAL

  • Stefany da Silva
  • Eduarda Mazziteli Furquim
  • Cassia Regina Nespolo
Rótulo microrganismos, patogênicos, contaminação, cruzada, higienização, resistência, microbiana, ambiente, hospitalar

Resumo

Os telefones celulares são objetos de uso frequente na vida social e profissional, especialmente em meio a emergências, como na pandemia do Covid-19, que tornam frequente o uso do aparelho. Este objeto possui área superficial considerável e emite calor, o que pode tornar o equipamento um vetor de microrganismos. Portanto, os pacientes atendidos por profissionais da saúde que utilizam telefones celulares durante o trabalho podem estar expostos a um risco sanitário adicional. O trabalho teve como objetivo avaliar a ocorrência e o perfil de resistência antimicrobiana de microrganismos indicadores de segurança em celulares de profissionais da saúde de um hospital localizado em um município da região Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A seleção na coleta foi por conveniência, realizada no período de agosto a outubro de 2019, com swabs contendo líquido coletor estéril. Os microrganismos foram cultivados em meios microbiológicos para os grupos indicadores coliformes totais, coliformes fecais, enterobactérias e Staphylococcus aureus. Após o período de incubação, as colônias foram contadas e algumas destas selecionadas para o Teste de Sensibilidade aos Antimicrobianos, com a técnica de disco difusão em Ágar Mueller-Hinton. O estudo contou com 50 amostras de celulares, destes 30 eram de técnicos de enfermagem, oito de profissionais da equipe de higienização, dois de médicos, sete de enfermeiros, um de auxiliar de nutrição, um de auxiliar de escritório e um de estagiário de enfermagem, com seleção de 36 colônias microbianas. Através do Teste de Sensibilidade, foi possível observar que 12% (n=6) apresentavam coliformes totais e os perfis de resistência incluíram Doxiciclina, Azitromicina, Amoxicilina e Cotrimoxazol. O grupo coliformes fecais foi identificado em 6% (n=3) dos celulares e os perfis de resistência abrangeram Doxiciclina, Azitromicina, Amoxicilina e Tetraciclina. As enterobactérias estavam presentes em 16% (n=8) dos celulares, com resistência à Doxiciclina, Azitromicina, Cotrimoxazol e Tetraciclina. A bactéria Staphylococcus aureus foi encontrada em 38% (n=19) dos celulares amostrados, com perfil de resistência que incluiu Doxiciclina, Azitromicina, Cotrimoxazol, Tetraciclina, Clorafenicol e Gentamicina. Os resultados reforçam a hipótese de que os aparelhos celulares abrigam muitos microrganismos, podendo ser um grande vetor de contaminação microbiológica pela presença de grupos indicadores e microrganismos patogênicos, alguns resistentes a certos antimicrobianos. Logo, a utilização de celulares no decorrer do atendimento ao paciente sem a adequada higienização oferece risco sanitário e pode facilitar a contaminação cruzada e levar à transmissão indireta de contaminantes microbiológicos entre pacientes. Deste modo, é importante evitar o uso do aparelho celular durante o trabalho e manter a higienização frequente, principalmente em tempos de coronavírus, não só em ambiente hospitalar, como no uso pessoal.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
DA SILVA, S.; MAZZITELI FURQUIM, E.; REGINA NESPOLO, C. PERFIL DE RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA DE MICRORGANISMOS ENCONTRADOS EM CELULARES DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE DE UM HOSPITAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.