DETECÇÃO MOLECULAR DE LEISHMANIA SP. EM MAMÍFEROS

  • Thália dos Santos
  • Rammy Vargas Campos
  • Taiane Acunha Escobar
  • Gabriela Döwich Pradella
  • Geórgia Góss Camargo
  • Irina Lubeck
Rótulo leishmaniose, equinos, sequenciamento, endêmico, projeto

Resumo

Leishmaniose é uma zoonose causada por protozoários do gênero Leishmania sp. A forma visceral é causada por L. infantum, e tem sido um problema de saúde pública. Diversas regiões do Brasil já apresentaram casos dessa enfermidade, e a Região Oeste do estado do Rio Grande do Sul não foi diferente. O acúmulo de matéria orgânica, a presença do vetor, o clima tropical e o grande trânsito de pessoas pela fronteira entre Brasil-Argentina-Uruguai, são alguns dos fatores que destacam a região como um local propicio à infecção. Já foram descritos casos tanto em humanos como em cães, o que instigou a pesquisa de que outros mamíferos possam ser hospedeiros, como os equinos. Com isso, esse trabalho teve como objetivo a revisão dos diferentes dados encontrados durante a realização do projeto Identificação e caracterização molecular de Leishmania sp. em animais domésticos. Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA) da Universidade Federal do Pampa Campus Uruguaiana sob os números (22/2017, 14/2020). Utilizaram-se diferentes metodologias para a identificação de Leishmania sp. em cães e cavalos que viviam na área urbana e rural no município de Uruguaiana, Região Oeste do Rio Grande do Sul. As amostras foram analisadas nos laboratórios da Universidade Federal do Pampa, e as técnicas aplicadas foram à extração do material genético pelo método salting out, a Reação em Cadeia da Polimerase, sequenciamento de DNA e testes bioquímicos. Na zona rural, 7 equinos e 1 cão testaram positivo para Leishmania sp., esses animais pertenciam a duas fazendas localizadas na mesma região, e próximas a rodovia em direção ao Uruguai. Já os cavalos que eram da área urbana, 75 testaram positivo. Eles pertenciam a 7 bairros registrados como endêmicos para leishmaniose. Os animais nesses dois estudos apresentavam-se assintomáticos. Em outros bairros que não havia registros de casos, 14 cavalos e 11 cães foram positivos, sendo que 5 de cada espécie apresentavam algum tipo de alteração clínica. Os equinos apresentavam lesões cutâneas, nódulos, linfadenopatia, diminuição de hemácias e aumento de uréia sérica, e os cães apresentaram diminuição no número de hemácias, aumento dos linfócitos e diminuição na proporção neutrófilos-linfócitos, esses sinais podem estar relacionados com a doença. As amostras de todos os animais mencionados acima passaram por sequenciamento de DNA, e todas apresentaram similaridade com L. infantum. Esses estudos demonstraram o forte papel dos equinos como novos hospedeiros dessa enfermidade na região, semelhante a outros estudos em regiões da Europa e Brasil, sendo muito importante sua identificação para melhor compreensão de sua disseminação e controle. Os cães ainda são os reservatórios domésticos e principais hospedeiros dessa enfermidade, tendo papel importante na transmissão, por isso, esses estudos devem ter continuidade para aperfeiçoamento do diagnóstico e prevenção.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
DOS SANTOS, T.; VARGAS CAMPOS, R.; ACUNHA ESCOBAR, T.; DÖWICH PRADELLA, G.; GÓSS CAMARGO, G.; LUBECK, I. DETECÇÃO MOLECULAR DE LEISHMANIA SP. EM MAMÍFEROS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.