PRIMEIRA OCORRÊNCIA DE BLUMENAVIA RHACODES (BASIDIOMYCOTA) NO BIOMA PAMPA BRASILEIRO

  • Jorge Velloso
  • Lilian Pedroso Maggio
  • Ana Luiza Klotz
  • Fernando Augusto Bertazzo da Silva
  • Flavia Helena Aires Sousa
  • Jair Putzke
Rótulo Fungos, Phallales, Taxonomia

Resumo

O gênero Blumenavia, foi proposto baseado em material coletado no estado de Santa Catarina, no município de Blumenau. A ocorrência desse gênero no país consiste em apenas alguns registros para a região sul e nordeste. Atualmente, considera-se sete espécies: B. rhacodes, B. crucis-hellenicae, B. baturitensis, B. toribiotalpaensis, B. usambarensis, B. angolensis e B. heroica. As três primeiras ocorrem no Brasil, sendo B. rhacodes restrita ao sul do país, com registros em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, apenas em áreas de Mata Atlântica. Diante disso, visando contribuir com o conhecimento da diversidade e distribuição da funga do Rio Grande do Sul, este trabalho traz o primeiro relato de Blumenavia rhacodes para a porção brasileira do bioma Pampa. O espécime foi coletado na Reserva Ecológica da Sanga da Bica, no município de São Gabriel, em abril de 2019, e levado ao laboratório Núcleo de Estudos da Vegetação Antártica, onde foram feitas análises macromorfológicas e micromorfológicas para determinação da espécie. Após, o material foi desidratado e inserido no acervo do Herbário Bruno Edgar Irgang (HBEI), na Universidade Federal do Pampa. O material examinado é fiel aos caracteres típicos de B. rhacodes, como um leve sulco na face externa dos braços, glebíferos triangulares dispostos de maneira uniforme, hifas do exoperídio apical filamentosas, com septos uniformemente dispostos, além da coloração amarelo-alaranjado claro, que o difere de B. anglensis, B. usambarensis e B. crucis-hellenicae, que apresentam coloração mais esbranquiçada. De B. heroica, diferencia-se pelo basidioma ser maior, além de diferenças nas hifas do exoperídio apical; diferencia-se de B. baturitensis, pelo fato de essa espécie não possuir um sulco na face externa dos braços e seu o glebífero com projeções tentaculares enrugadas, e diferencia-se B. toribiotalpaensis, que apresenta glebíferos retorcidos, com morfologia diferente ao longo do braço. A ocorrência de B. rhacodes no bioma Pampa já é conhecida desde 1995, para Argentina, porém o único trabalho realizado com fungos da ordem Phallales na porção brasileira do bioma, menciona a ocorrência de apenas duas espécies: Clathrus columnatus e Lysurus cruciatus, ficando a grande maioria do conhecimento acerca do grupo, no Rio Grande do Sul, concentrada nas áreas de Mata Atlântica. Do mesmo modo, B. rhacodes é uma espécie cuja ocorrência limita-se a apenas esse bioma, o que, de acordo com a literatura, pode ser explicado pela aproximação dessas áreas com os centros de pesquisa, sendo essa a primeira vez em que a espécie é citada para outro bioma no Brasil. Conhecer a diversidade dos diferentes grupos de fungos ocorrentes no Pampa é de grande importância, tanto para compreensão da ecologia desses organismos nos ecossistemas, quanto para a elaboração de políticas de conservação das espécies desse bioma, e isso deixa evidente a necessidade de trabalhos voltados, sobretudo, à ecologia e taxonomia básica de fungos.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
VELLOSO, J.; PEDROSO MAGGIO, L.; LUIZA KLOTZ, A.; AUGUSTO BERTAZZO DA SILVA, F.; HELENA AIRES SOUSA, F.; PUTZKE, J. PRIMEIRA OCORRÊNCIA DE BLUMENAVIA RHACODES (BASIDIOMYCOTA) NO BIOMA PAMPA BRASILEIRO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.