A PESTE SUÍNA AFRICANA NA CHINA E A CARNE SUÍNA BRASILEIRA

  • Eduarda Klaus
  • Miguel Oliveira Marques
  • Daniele Felicio Rodrigues
  • Maria Lorenza Perini Lago
  • Mauricio da Cruz Barz
  • Bruno Neutzling Fraga
Rótulo Agronomia, Estudo, caso, Economia, Exportações

Resumo

A crescente demanda mundial por carne suína é importante para o agronegócio nacional e movimenta a economia global. Para atender a este mercado as criações intensivas de suínos crescem juntamente as possibilidades de surtos, como a Peste Suína Africana (PSA). A doença, exclusiva de suídeos, é causada por um vírus resistente a amplas variações de pH e que permanece viável por longos períodos. A PSA é altamente contagiosa e não existe uma vacina, o que causa prejuízo econômico uma vez que a eliminação dos animais é única alternativa. A China possui o maior plantel de suínos do mundo e em 2018 foi assolado pela PSA. Objetivou-se neste trabalho, avaliar o impacto da PSA na China sobre a produção nacional de carne suína. O trabalho foi desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Suinocultura da Unipampa Itaqui GPSUI, através de um estudo de caso a partir de dados midiáticos dos players do mercado com a exposição e análise do cenário mundial e demandas de mercado do triênio. Em 2019, a População da China ultrapassou 1,4 bilhão de habitantes ou 7 vezes a população do Brasil e se tornou o 2° PIB mundial. Contudo, a produção interna da China não atende a alta demanda por matérias primas. Como se não bastasse, ocorreu um surto de PSA em várias criações de suínos e 119 milhões de animais (28% do plantel) foram eliminados o que provocou um déficit de 11,5 milhões de toneladas de carne suína. O rebanho suíno brasileiro é de aproximadamente 42 milhões de animais com produção de 4 milhões de toneladas de carne ao ano. Dessa forma, percebe-se que a PSA na China representou um déficit três vezes superior à capacidade total de produção brasileira. Além disso, se considerar que 81% da carne suína produzida no Brasil é destinada ao mercado interno e somente 19% a exportações, percebe-se que o país poderia exportar 16 vezes mais carne suína para atender somente ao mercado chinês. Além disso, o déficit de carne suína na China aqueceu o mercado das commodities com aumento das exportações brasileiras de milho e soja. Isto representou elevação nos custos de produção das cadeias de aves e suínos, uma vez que a alimentação representa 70% dos custos totais. Desse modo, entende-se que a PSA na China impactou a produção da carne suína e ampliou o dinamismo do mercado internacional das carnes.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
KLAUS, E.; OLIVEIRA MARQUES, M.; FELICIO RODRIGUES, D.; LORENZA PERINI LAGO, M.; DA CRUZ BARZ, M.; NEUTZLING FRAGA, B. A PESTE SUÍNA AFRICANA NA CHINA E A CARNE SUÍNA BRASILEIRA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.