INFLUÊNCIA MATERNA NA ALTERAÇÃO OSTEOCONDRAL JUVENIL EM POTROS BRASILEIRO DE HIPISMO

  • Rafael Willers
  • Fábio Gallas Leivas
  • Lessana de Moura Gonçalves
  • Janislene Mach Trentin
  • Débora da Cruz Payão Pellegrini
  • Ricardo Pozzobon
Rótulo equinos, condição, osteocondral, juvenil, avaliação, radiológica

Resumo

O termo Condição Osteocondral Juvenil (COCJ) descreve os distúrbios no desenvolvimento de potros relacionados às doenças com o mesmo mecanismo de lesão na placa de crescimento, mais especificamente na zona de ossificação endocondral. Ele inclui a osteocondrose (OC), definida como uma falha focal no processo de ossificação endocondral no complexo articular epifisário, doença dos ossos cubóides e demais alterações do esqueleto imaturo, como colapso osteocondral ou fraturas de avulsão em locais de inserção. Embora possa variar com a causa clínica específica, toda a COCJ é considerada multifatorial e dentro deste complexo estão o desequilíbrio da dieta, crescimento rápido, hereditariedade, características anatômicas, tensões biomecânicas e perturbações locais na cartilagem que podem ter papel chave no desenvolvimento desta condição. O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência materna como fator de risco para COCJ através de avaliação radiológica dos seus potros nascidos de três gerações consecutivas. Foram avaliados 42 potros Brasileiro de Hipismo com idade de 12 a 36 meses, todos da mesma propriedade e que não haviam sido submetidos a treinamento, filhos de 19 éguas (idade média 10,5 anos), sendo 15 éguas com 2 gerações e 4 com três gerações de potros. As articulações avaliadas foram metacarpofalangeana (MCF), metatarsofalangeana (MTF), tarso e femorotibiopatelar (FTP). As alterações radiológicas foram avaliadas em escala de 1 a 4 conforme a severidade. A análise estatística realizada foi regressão logística binária no IBM SPSS Statiscs. Os índices dos achados radiológicos variaram de grau 1 (leve) a grau 3 (severo). Foram detectados 15 animais com alteração na articulação MTF (34,8%), 6 na MCF (20,9%), 7 potros com alteração no tarso (16,6%) e 4 na FTP (9,5%). Das 15 éguas com duas gerações avaliadas, 9 tiveram potros com alterações em uma geração (60%), 5 éguas tiveram potros com alteração em duas gerações (33%). Das 4 éguas com três gerações avaliadas, uma delas teve seus potros com alteração nas 3 gerações (25%), uma com 2 potros com alteração (25%) e uma potro com um potro (25%). Na avaliação dos diferentes anos de nascimento, dos 18 potros nascidos na primeira geração, 15 apresentaram alterações (83,3%), dos 16 da segunda geração, 8 apresentaram alterações (50%), e dos 8 potros da terceira, 3 apresentaram alterações (37,5%). As alterações radiológicas não tiveram influência materna (P=0,99) e os potros da primeira geração tiveram 4,136 mais chance de apresentarem alterações radiológicas (P=0,042). Com estes dados conclui-se que, no plantel avaliado, o fator mãe não teve influência sobre a incidência de alterações radiológicas e que os potros nascidos na primeira geração apresentaram um maior risco para alterações osteocondrais. Para melhor compreensão da doença, outros estudos com maior número de animais são indicados, a fim de elucidar a influência da mãe na incidência da COCJ, bem como outros fatores de risco nas diferentes gerações.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
WILLERS, R.; GALLAS LEIVAS, F.; DE MOURA GONÇALVES, L.; MACH TRENTIN, J.; DA CRUZ PAYÃO PELLEGRINI, D.; POZZOBON, R. INFLUÊNCIA MATERNA NA ALTERAÇÃO OSTEOCONDRAL JUVENIL EM POTROS BRASILEIRO DE HIPISMO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.