EFEITO DA CICLICIDADE SOBRE AS TAXAS DE CIO E PRENHEZ DE VACAS TAURINAS SUBMETIDAS A IATF

  • Maria da Silveira
  • Augusto Rocha de Oliveira
  • Vanessa Buss
  • Janislene Mach Trentin
  • Fabio Gallas Leivas
  • Daniela dos Santos Brum
Rótulo ECC, Anestro, bovinos

Resumo

Nas fêmeas bovinas, entende-se por ciclicidade a manifestação de cio em intervalos regulares. Ao longo da vida reprodutiva das fêmeas, algumas condições interrompem a regularidade do ciclo estral. Uma delas é o anestro pós-parto prolongado que está relacionado principalmente a má condição nutricional, lactação e presença do terneiro. Esses fatores afetam negativamente a eficiência reprodutiva do rebanho devido ao aumento do intervalo entre partos. Os protocolos hormonais para inseminação artificial em tempo fixo (IATF) são uma alternativa para driblar os prejuízos dessa condição, principalmente quando associado a fatores como manejo nutricional adequado. O presente estudo teve como objetivo avaliar a influência da ciclicidade no início do protocolo de IATF sobre as taxas de cio e prenhez de vacas taurinas no pós-parto. Utilizou-se 313 vacas de corte, das raças Angus, Hereford, Braford, Brangus e cruzadas, multíparas, com cria ao pé, entre 40 e 60 dias pós-parto, oriundas de 5 propriedades do Centro-Oeste e Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. No dia 0 do protocolo de IATF, os animais foram avaliados quanto ao escore de condição corporal (ECC - escala de 1 a 5) e submetidos a exame ginecológico para determinação da ciclicidade, sendo classificadas em [CÍCLICAS (n=152): presença do corpo lúteo ou em ANESTRO (n=161): ausência do corpo lúteo]. No mesmo momento, cada fêmea recebeu um dispositivo intravaginal de progesterona (P4, DIB® 1g, Zoetis), e 2mg de benzoato de estradiol (IM; Gonadiol®, Zoetis). No dia 7 administrou-se 12,5mg de dinoprost trometamina (IM; Lutalyse®, Zoetis). No dia 9 o dispositivo de P4 foi removido e administrou-se 0,3mg de cipionato de estradiol (IM; E.C.P. ®, Zoetis) e 300UI de gonadotrofina coriônica equina (eCG) (IM; Novormon®, Zoetis). Ainda, realizou-se uma marcação com bastão de cera (Höppner®) na base da cauda para determinação da taxa de demonstração de cio. No dia 11, as vacas que não apresentavam a marcação foram consideradas em cio e as que permaneceram marcadas foram consideradas como que não apresentaram cio. Todas as fêmeas foram submetidas a IATF. O diagnóstico de gestação foi realizado 30 dias após a IATF. Análises estatísticas foram realizadas com o PROC GLIMMIX do SAS e as comparações com o Qui Quadrado. As vacas CÍCLICAS ao início do protocolo de IATF apresentaram taxas de cio (82,24% vs. 67,70%; P=0,003) e prenhez (61,18% vs. 38,51%;) superiores às vacas em ANESTRO (P=<0,0001). Além disso, também pôde-se observar que as vacas CÍCLICAS apresentaram maior ECC que as vacas em ANESTRO (2,97 vs. 2,48; P=<0,0001), o que mostra ser um fator determinante na ciclicidade. Concluiu-se que a ciclicidade das fêmeas ao início do protocolo de IATF tem influência positiva sobre as taxas de cio e prenhez. Desse modo, aliando os protocolos de IATF ao manejo nutricional adequado obtém-se melhores resultados, assim garantindo melhor desempenho produtivo e reprodutivo do rebanho.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
DA SILVEIRA, M.; ROCHA DE OLIVEIRA, A.; BUSS, V.; MACH TRENTIN, J.; GALLAS LEIVAS, F.; DOS SANTOS BRUM, D. EFEITO DA CICLICIDADE SOBRE AS TAXAS DE CIO E PRENHEZ DE VACAS TAURINAS SUBMETIDAS A IATF. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.