CISTITE ENFISEMATOSA EM CÃO DIABÉTICO: RELATO DE CASO

  • Brenda Rosa
  • Eduardo Gonçalves da Silva
  • Michaela Marques Rocha
  • Francesca Lopes Zibetti
  • Paula Priscila Correia Costa
Rótulo Hiperglicemia, Parâmetros, hematológicos, Urocultura

Resumo

A cistite enfisematosa é uma inflamação incomum, definida pelo acúmulo de gás dentro da parede e lúmen da bexiga. A bactéria mais comumente encontrada é a Escherichia coli, responsável por produzir gás através da fermentação de glicose presente na urina. A enfermidade é usualmente descrita em pacientes diabéticos, porém também ocorre com menor frequência em cães não diabéticos. O caso relatado foi atendido em uma clínica particular em Fortaleza CE e se trata de um canino, da raça Schnauzer miniatura, fêmea, castrada, com 9 anos de idade. A paciente chegou para consulta com histórico de incontinência urinária, poliúria e polidipsia, a tutora relatou que, o animal foi diagnosticada há 8 meses com diabetes mellitus com aplicação de insulina NPH a cada 12 horas na dosagem de 4UI. Durante o exame físico, foi constatado que a paciente estava um pouco ofegante. A glicemia foi aferida em 376mg/dL, sendo a última alimentação há 2 horas e não tendo sido aplicada insulina posterior a ela. A partir da coleta de sangue foi realizado o hemograma completo, onde foi constatado plasma lipêmico, anemia e hiperproteinemia, com presença de rouleaux eritrocitário e trombocitose; foram também realizadas dosagens bioquímicas, onde foi revelado aumento da alanina aminotransferase, fosfatase alcalina, colesterol total e triglicerídeos. No ultrassom, a bexiga estava repleta com pontos ecogênicos em suspensão, as paredes levemente espessadas e com irregularidade, havia presença de um artefato de reverberação distal próximo a parede ventral da bexiga, levando a suspeita da enfermidade. O parênquima hepático apresentava ecogenicidade aumentada e foi constatado esplenomegalia. A urinálise revelou a presença de 4 cruzes de glicose e traços de proteínas, associada de 4 cruzes de sangue oculto. Evidenciou-se também a presença de poucos cilindros granulares e hialinos, além de células epiteliais transicionais. A urocultura não constatou crescimento de bactérias anaeróbias, entretanto foi observado crescimento da bactéria aeróbica Klebsiella pneumoniae. O tratamento empregado foi: ômega 3 por pelo menos 60 dias; bezafibrato durante 15 dias; clopidrogrel durante 15 dias; amoxicilina com clavulanato de potássio durante 28 dias e omeprazol durante 28 dias. Após a realização da curva glicêmica, a dose de insulina NPH foi reajustada para 8UI a cada 12 horas, após as refeições, até novas recomendações. Após 15 dias, as alterações que perpetuaram foram: no hemograma, um leve aumento na concentração de proteínas plasmáticas totais; no ultrassom ainda foi evidenciado a presença de infiltrado gorduroso no fígado e esplenomegalia; entretanto foi observada melhora no quadro clínico e o animal não apresentava mais poliúria e incontinência. Podemos concluir que se faz necessário um bom controle glicêmico, para diabéticos, associado à realização de urocultura para definição do antimicrobiano adequado em enfermidades como a cistite enfisematosa, obtendo-se assim um bom prognóstico para o caso.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
ROSA, B.; GONÇALVES DA SILVA, E.; MARQUES ROCHA, M.; LOPES ZIBETTI, F.; PRISCILA CORREIA COSTA, P. CISTITE ENFISEMATOSA EM CÃO DIABÉTICO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.