TRATAMENTO DE LUXAÇÃO PATELAR BILATERAL EM UM CANINO

  • Alana Aurélio
  • Catherine Konrad Nava Calva
  • Renata Wolff Roese
  • João Pedro Scussel Feranti
Rótulo Luxação, patela, TTTT, Transposição, crista, tíbia

Resumo

A luxação patelar é uma condição clínica que consiste no deslocamento da patela do sulco troclear, podendo ser de etiologia traumática ou congênita, causando claudicação, dor e dificuldade de locomoção. Conforme a gravidade das alterações anatômicas e apresentação clínica é classificada em quatro graus, sendo o grau I e II em casos de luxação recorrente e grau III e IV em casos de luxação permanente. Fêmeas e raças toy/miniatura são mais predispostas. É uma afecção ortopédica amplamente diagnosticada em cães e o tratamento cirúrgico é indicado dependendo do histórico e apresentação clínica do paciente. O presente trabalho tem por objetivo relatar um caso de luxação patelar bilateral grau II em um canino submetido ao tratamento cirúrgico em único ato operatório. No hospital veterinário de Uruguaiana (HospVet) foi atendido um canino, fêmea, da raça Spitz, com oito meses de idade, pesando 2,7 kg, apresentando dificuldade de locomoção associada aos membros pélvicos. Ao exame físico notou-se dor na palpação da articulação femoro-tibio-patelar e as patelas luxavam durante a manipulação manual em ambos os membros, constatando luxação bilateral de patela grau II. Dentre as alterações anatômicas, evidenciado ao exame radiográfico, o animal apresentava desvio torcional da tíbia proximal e considerável atrofia muscular por desuso em ambos membros. Com base na avaliação pré-operatória, optou-se pela correção cirúrgica bilateral em sessão única. A técnica de escolha para ambos os membros foi a Tibial Tuberosity Transposition Tool (TTTT) modificada, na qual realizou-se a osteotomia parcial do fragmento da tuberosidade da tíbia, onde dois terços da crista tibial foi transposta lateralmente para realinhar o tendão patelar e estabilizada com auxílio de pino liso de 1,5mm. Ainda, efetivou-se a imbricação de cápsula articular com Poliglactina 910 2-0. Como adjuvante ao tratamento, o paciente foi submetido a duas sessões semanais de fisioterapia pós-operatória por um período de cinco semanas, totalizando dez sessões. Estudos indicam que luxações de grau II, III e IV requerem correção cirúrgica e sugerem que a transposição da crista tibial seja realizada em todos os casos, sendo recomendada de forma imediata em animais jovens, afim de minimizar futuras anormalidades esqueléticas. Em raças pequenas, luxações bilaterais podem ser corrigidas simultaneamente sem aumento nas taxas de complicações. Conforme observado no presente caso, ao 4° dia de pós-operatório o animal já apoiava os membros e no retorno de 30 dias já demonstrava melhora clínica dos membros afetados e ausência de dor. Pode-se concluir que em animais jovens com luxação patelar bilateral, a correção cirúrgica imediata é recomendada e a realização da correção simultânea em sessão única pode ser realizada sem aumento da morbidade no pós-operatório e sem aumento na taxa de complicações a longo prazo.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
AURÉLIO, A.; KONRAD NAVA CALVA, C.; WOLFF ROESE, R.; PEDRO SCUSSEL FERANTI, J. TRATAMENTO DE LUXAÇÃO PATELAR BILATERAL EM UM CANINO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.