ANATOMIA DA ARTÉRIA CELÍACA EM LYCALOPEX GYMNOCERCUS E CERDOCYON THOUS

  • Erick Souza
  • Leonel Feliz Leão Neto
  • Shirley Viana Peçanha
  • Marcelo Abidu Figueiredo
  • Marelise Moral Montana
  • Paulo De Souza Junior
Rótulo anatomia, animal, carnívoros, silvestres, esqueletopia, sistema, cardiovascular

Resumo

Lycalopex gymnocercus (graxaim-do-campo) é um canídeo silvestre com distribuição geográfica no cone Sul do continente sul americano. Cerdocyon thous (cachorro-do-mato) é a espécie de canídeo silvestre com a distribuição mais abrangente no continente sul americano. Estudos sobre anatomia de animais silvestres são importantes para subsidiar inferências em zoologia, bem como procedimentos veterinários em animais silvestres. A artéria celíaca é um dos principais ramos da aorta abdominal e possibilita a irrigação de importantes órgãos, tais como estômago, pâncreas, fígado e baço. Diante desta relevância, objetivou-se descrever e comparar a origem e esqueletopia da artéria celíaca em L. gymnocercus e C. thous a partir da dissecação de espécimes cadavéricos. Todos os cadáveres foram recolhidos mortos em estradas (autorização IBAMA/SISBIO nº33667). Foram analisados 29 espécimes, sendo 15 L. gymnocercus, nove machos e seis fêmeas; e 14 C. thous, seis machos e oito fêmeas. Os espécimes foram conservados com injeção e submersão em solução de formaldeído a 10%. O critério de inclusão eram animais com aorta abdominal e artéria celíaca preservadas. Após a abertura da cavidade abdominal, era realizada limpeza da fáscia e tecido adiposo abdominal para possibilitar o reconhecimento da artéria celíaca. Um paquímetro digital foi utilizado para medir a distância entre a artéria celíaca e a artéria mesentérica cranial. A artéria celíaca foi marcada com um alfinete radiopaco e os cadáveres radiografados para confirmação da esqueletopia. A esqueletopia encontrada foi ao nível da primeira vértebra lombar L1, entre L1 e L2 e ao nível de L2 em 14%, 29% e 57% dos espécimes de C. thous e 18%, 18%, 64% nos espécimes L. gymnocercus, respectivamente. Em L. gymnocercus, 33% dos animais apresentavam artéria celíaca cranialmente ao hiato aórtico, caracterizando uma origem torácica. Relatos da artéria celíaca provenientes da artéria torácica são escassos e não foram descritos na literatura para carnívoros. Em C. thous, todos os animais apresentaram a artéria celíaca originada na aorta abdominal. A distância média entre a artéria celíaca e a artéria mesentérica cranial em L. gymnocercus foi 6,42 ± 1,20 mm nos machos e 7,09 ± 2,80 mm nas fêmeas, enquanto em C. thous foi de 14,80 ± 2,00 mm nos machos e 16,0 ± 2,6 mm nas fêmeas, não havendo diferença significativa das médias das distâncias entre artérias quando comparada entre sexos. Pode-se concluir que a esqueletopia da artéria celíaca é semelhante em ambas espécies, talvez pela proximidade filogenética e construção corporal similar. Entretanto, a origem na aorta torácica em um percentual expressivo de espécimes L. gymnocercus e a maior distância média em relação à artéria mesentérica cranial nos espécimes C. thous são características que precisam ser levadas em consideração em estudos comparados e procedimentos veterinários nestas duas espécies.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
SOUZA, E.; FELIZ LEÃO NETO, L.; VIANA PEÇANHA, S.; ABIDU FIGUEIREDO, M.; MORAL MONTANA, M.; DE SOUZA JUNIOR, P. ANATOMIA DA ARTÉRIA CELÍACA EM LYCALOPEX GYMNOCERCUS E CERDOCYON THOUS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.