CORREÇÃO DE NARINAS ESTENOSADAS EM UM PUG COM SÍNDROME BRAQUICEFÁLICA: RELATO DE CASO

  • Michaela Rocha
  • Eduardo Gonçalves da Silva
  • Brenda Madruga Rosa
  • Francisco de Assis Araújo Camelo Júnior
  • Mário de Castro Magalhães Filho
  • Paula Priscila Correia Costa
Rótulo Síndrome, braquicefálica, Estenose, nasal, Cirurgia, reconstrutiva

Resumo

A síndrome braquicefálica caracteriza-se por anormalidades anatômicas congênitas das vias respiratórias de animais braquicefálicos, como estenose dos orifícios nasais, prolongamento do palato mole e sáculos laríngeos evertidos, podendo, em casos mais graves, resultar em complicações como edema pulmonar. As raças mais acometidas incluem Shih Tzu, Lhasa Apso, Buldogues Inglês e Francês e Pug. O caso relatado foi atendido na Universidade Federal de Pelotas e se trata de um cão da raça Pug, macho, com 7 anos da idade e massa corporal de 12,6kg. O animal já havia sido diagnosticado com a síndrome braquicefálica e durante a anamnese relatou-se que desde filhote o cão apresentava sinais de cansaço ao exercício e dificuldade respiratória ao sentar-se, principalmente à noite. No exame clínico, constatou-se que o paciente apresentava sobrepeso e comportamento ansioso, os demais parâmetros não apresentaram alterações. No exame físico específico pode-se observar algumas alterações, como a estenose bilateral dos orifícios nasais, prolongamento de palato mole e a presença de uma prega cutânea significativa acima do nariz, dificultando sua respiração e facilitando o aparecimento de dermatopatias de origem fúngica. Tais alterações confirmam o diagnóstico prévio, sendo instituída a terapia cirúrgica, constando de estafilectomia, rinoplastia e dermoplastia. Foram solicitados exames complementares ao paciente, sendo a radiografia sugestiva de edema com prolongamento de palato mole na região cervical laringo-faringeana; o hemograma e bioquímico apresentaram valores dentro da normalidade. A rinoplastia tem como objetivo a amplificação do orifício nasal estenosado, uma vez que os cães braquicefálicos com essa alteração demandam um maior esforço respiratório pois há o deslocamento medial da asa da narina, que colapsa e fecha o espaço aéreo. Assim, o paciente foi encaminhado para o setor cirúrgico do hospital, sendo aplicado nele o protocolo anestésico preparando-o para o procedimento cirúrgico. Após estabilização do plano anestésico e realização da antissepsia, foi posicionado em decúbito esternal com a cavidade oral completamente aberta. Foi feita uma incisão em forma de v, lateralmente, nas cartilagens nasais mediais e removido a porção vertical do tecido excisado. O controle da hemostasia foi realizado com pressão digital, alinhou-se a margem ventral das narinas e a junção mucocutânea atráves de sutura com padrão simples com fio absorvível (Vicryl), sobrepondo os tecidos. O mesmo procedimento foi realizado no lado contralateral, tomando o cuidado de excisar o mesmo tamanho de porção tecidual. No pós operatório, foi prescrito o uso de dipirona, cloridrato de tramadol, prednisolona e enrofloxacina, além do uso do colar elizabetano e limpeza dos pontos. Após 10 dias o animal retornou para uma nova avaliação, na qual constatou-se que as bordas da ferida cirúrgica se encontravam coaptadas, demonstrando cicatrização, além de uma boa condição geral.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
ROCHA, M.; GONÇALVES DA SILVA, E.; MADRUGA ROSA, B.; DE ASSIS ARAÚJO CAMELO JÚNIOR, F.; DE CASTRO MAGALHÃES FILHO, M.; PRISCILA CORREIA COSTA, P. CORREÇÃO DE NARINAS ESTENOSADAS EM UM PUG COM SÍNDROME BRAQUICEFÁLICA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.