LEISHMANIOSE VISCERAL: O USO DE COLEIRAS ANTIPARASITÁRIAS COMO MEDIDA PROFILÁTICA EM UMA REGIÃO DE TRANSMISSÃO

  • Catherine Calva
  • Tiago Gallina Correa
Rótulo Leishmaniose, Visceral, Canina, Medidas, Profiláticas, Coleiras, Antiparasitárias

Resumo

As últimas décadas foram caracterizadas pela re-emergência da Leishmanise Visceral (LV) como um grave problema de saúde pública, e o município de Uruguaiana Rio Grande do Sul foi considerado como área de transmissão para LV a parir do ano de 2009. Diante dessa realidade é necessária a adoção de medidas profiláticas ao vetor da doença na região (Lutzomyia longipalpis). O presente estudo visa quantificar o uso de medidas profiláticas, como o emprego de coleiras antiparasitárias, por tutores de animais de estimação na cidade de Uruguaiana. Foi realizada a seleção aleatória de estabelecimentos que comercializavam coleiras repelentes, e aplicado questionários para obtenção dos dados. Um total de 20 estabelecimentos foram entrevistados em diferentes bairros de Uruguaiana, sendo constatado que o número de coleiras vendidas por mês foi de: 0 a 10 coleiras representava 70% dos estabelecimentos, 11 a 30 foram 25% e 5% de 31 a 50. Sobre a importância nas vendas, as coleiras repelentes não tiveram considerável relevância, em uma escala de 1 a 4, 45% consideraram 4 para a vendas das coleiras, 45% importância 3 na escala e 10% 2 na escala. Os motivos que levaram os proprietários a adquirirem a coleira repelente variaram, sendo que 60% buscavam para prevenção da Leishmaniose, 20% procuravam prevenção para pulgas, carrapatos e para o vetor, 15% para pulgas e carrapatos e 5% procuravam a coleira apenas para prevenção de pulga. Percebe-se que existe a preocupação com a Leishmaniose Visceral Canina (LVC) uma vez que 80% dos proprietários buscavam adquirir a coleira repelente também para prevenção desta enfermidade. Quanto a marca mais vendida, 55% a marca Scalibor®, 30% a marca Seresto®, e 15% a marca Leevre®. Já a preferência na hora da escolha da coleira repelente observou-se principalmente relação com o preço (50%), seguida da marca com (20%), tempo de proteção (15%) e receita veterinária (15%). Essas duas variáveis se complementam uma vez que a coleira repelente da marca Scalibor®, é a marca com menor preço do mercado. A escolha dos proprietários entre coleira e vacina para LVC foi em sua maioria uso de coleira repelente 80%, principalmente pelo alto custo da vacinação. Sobre o objetivo dos tutores ao adquirir a coleira 80% buscavam para prevenção e 20% procuravam para interromper a transmissão em animais já positivos para a doença. Por conseguinte, 100% dos tutores obtinham a coleira para cães, demonstrando a falta de preocupação com gatos, que representam um potencial reservatório. Conclui-se que mesmo que os proprietários tenham conhecimento do uso da coleira repelente para prevenir transmissão via vetor, a comercialização de coleiras ainda não é suficiente para suprir a demanda do município de Uruguaiana. Medidas de acesso facilitado para profilaxia da LV devem ser incentivadas pelos órgãos públicos já que o baixo custo é a preferência na hora da escolha dos proprietários, assim será possível estabelecer uma maior área de proteção para população.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2020-11-20
Como Citar
CALVA, C.; GALLINA CORREA, T. LEISHMANIOSE VISCERAL: O USO DE COLEIRAS ANTIPARASITÁRIAS COMO MEDIDA PROFILÁTICA EM UMA REGIÃO DE TRANSMISSÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.