COINFECÇÃO POR BABESIA SPP. E ANAPLASMA PLATYS EM CANINO DOMÉSTICO, RELATO DE CASO

  • Eugênia Barwaldt
  • Eugênia Tavares Barwaldt
  • Andreza Bernardi da Silva
  • Camila Moura de Lima
  • Márcia de Oliveira Nobre
  • Leandro Quintana Nizoli
  • Alexsander Ferraz
Rótulo Cães, Hemoparasitos, Diagnóstico

Resumo

As hemoparasitoses, são afecções frequentes na rotina da Clínica Veterinária. Dentre os principais agentes etiológicos, destacam-se os genêros Babesia e Anaplasma, que parasitam eritrócitos e plaquetas, respectivamente. A principal forma de transmissão de ambos os parasitos é através do carrapato Rhipicephalus sanguineus. Os sinais clínicos costumam ser inespecíficos, e incluem, febre, apatia, anorexia e alterações hematológicas, como anemia e trombocitopenia, o que pode dificultar ainda mais sua detecção. Diante desse cenário, o objetivo deste trabalho, foi descrever o relato de um cão, coinfectado por Babesia spp. e Anaplasma platys, evidenciando o diagnóstico e tratamento destas enfermidades. A amostra de sangue analisada foi proveniente de um cão, adulto, fêmea, raça Pastor Alemão. Apresentava-se apática, mucosas pálidas, secreção ocular e presença de carrapatos. Foi realizado coleta de sangue para hemograma e exame bioquímico. Uma alíquota desta amostra foi encaminhada para o Laboratório de Doenças Parasitárias (Ladopar) da Faculdade de Veterinária da UFPel, para pesquisa de hemoparasitos, utilizando a técnica de esfregaço sanguíneo, corado com panótico rápido. Após preparo, a lâmina foi analisada com óleo de imersão em microscópio ótico, em objetiva de 1000x, e o diagnóstico deu-se através da observação de inclusões em hemácias, plaquetas ou leucócitos. No hemograma foi constatado diminuição de hemácias (4,5x106), hemoglobina (8,6g/dl), hematócrito (25%) e das plaquetas (81x103). A anemia apresentada era normocítica e normocrômica. No esfregaço, foram observados merozoítos de Babesia spp. em hemácias e mórula em plaqueta, característica de A. platys. O tratamento preconizado foi dipropionato de imidocarb (5mg/kg, SC, duas doses, com intervalo de 14 dias entre elas) e doxiciclina (10mg/kg, VO, 24x24hs, durante 14 dias). Quinze minutos antes da aplicação do imidocarb, foi administrado sulfato de atropina (0,044mg/Kg, SC), visando minimizar possíveis efeitos colaterais colinérgicos da droga. Para o controle de carrapatos foi utilizado ectoparasiticida à base de Sarolaner (SimparicTM) (VO). Após o término do tratamento, houve melhora clínica do paciente, não sendo observado nenhum gênero de hemoparasito no esfregaço. Conclui-se que as hemoparasitoses estão presentes na rotina do clínico veterinário de pequenos animais. Porém, como os sinais clínicos costumam ser inespecíficos, a pesquisa dos agentes causadores, através de exames complementares, como o esfregaço sanguíneo corado é uma importante ferramenta para o diagnóstico definitivo, devendo ser adotado como rotina nos casos suspeitos, principalmente naqueles animais com diminuição de hemácias e plaquetas, além de histórico de carrapatos.

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Publicado
2020-11-20
Como Citar
BARWALDT, E.; TAVARES BARWALDT, E.; BERNARDI DA SILVA, A.; MOURA DE LIMA, C.; DE OLIVEIRA NOBRE, M.; QUINTANA NIZOLI, L.; FERRAZ, A. COINFECÇÃO POR BABESIA SPP. E ANAPLASMA PLATYS EM CANINO DOMÉSTICO, RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 12, n. 2, 20 nov. 2020.