MEMÓRIA DISCURSIVA: UMA ANÁLISE DOS SENTIDOS PRODUZIDOS NOS DISCURSOS SOBRE AS TRAVESTIS

  • Bruno da Rosa
  • Carolina Fernandes
Rótulo Discurso, Resistência, Travestilidade, Educação, Memória

Resumo

Historicamente somos lembrados de que alguns lugares na sociedade são reservados para determinados tipos de pessoas, de diferentes classes e grupos sociais. As relações de poder são materializadas por meio dos discursos de uma formação ideológica dominante, que precisa, repetidamente, relembrar que nem todos têm direito à ascensão social por meio da educação. Esses processos de dominação e poder podem ser percebidos e analisados discursivamente quando nos detemos a investigar que algumas escolhas linguísticas não acontecem por acaso, ou quando alguém remete à memória discursiva que se tem de um grupo, reforçando um imaginário que, às vezes, pode ser considerado depreciativo. Devido à pouca escolaridade e à escassez de políticas públicas educacionais criadas especificamente para a comunidade travesti, este grupo acaba em subempregos, vira estatísticas de crimes, têm mais passagens pelo sistema prisional e acabam, na maioria das vezes, como profissionais do sexo (FRANCISCO, 2019). Dito isso, este artigo trata-se de um estudo que objetiva analisar os sentidos que estão pré-estabelecidos nos discursos sobre as travestis, isto é, os sentidos que são repetidamente legitimados, social e discursivamente, pois acreditamos que compreender os sentidos cristalizados socialmente é crucial para o desmantelamento de um imaginário forjado no preconceito à comunidade LGBT. Embasados na Análise de Discurso Pecheutiana, analisamos três depoimentos de três travestis. A Análise de Discurso de linha francesa, doravante AD, coopera de forma relevante com o campo dos estudos da linguagem, pois possibilita ao analista outras formas de ler e interpretar, bem como permite ao sujeito leitor a compreensão de que todos estão sujeitos à linguagem e às interpelações ideológicas. A noção de memória discursiva, fundamentada por Michel Pêcheux (1999), diz respeito à memória social inscrita em práticas. Ela vem para reestabelecer aquilo que está implícito e pré-estabelecido. Os resultados, até o presente momento ainda parciais, dizem respeito aos discursos de resistência das travestis que, com suas identidades de gênero que se diferem da heterossexualidade hegemônica, rompem com sentidos que estão estáticos, propiciando um novo olhar e uma reflexão acerca de algumas concepções sobre gênero que foram naturalizadas com o tempo, mas que precisam, o quanto antes, serem revistas, especialmente por parte dos professores e de todos aqueles que se dispõem a estudar a sociedade.

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
DA ROSA, B.; FERNANDES, C. MEMÓRIA DISCURSIVA: UMA ANÁLISE DOS SENTIDOS PRODUZIDOS NOS DISCURSOS SOBRE AS TRAVESTIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.