ESCREVENDO SOBRE A ENUNCIAÇÃO E O DIALOGISMO EM CHÃO DE GIZ

  • Wendell Freitas
  • Thifane Oliveira de Alencar
  • Julia da Rosa Diogo
  • Laura Fagundes Delabari
  • Isabel Cristina Ferreira Teixeira
Rótulo Enunciado, Dialogismo, Metáfora, Sentido

Resumo

Este trabalho tem como tema a análise da música Chão de Giz (1978) do cantor Zé Ramalho. Procuramos aplicar conceitos bakhtinianos para a leitura e análise de nosso objeto. Como objetivo temos o de analisar os enunciados que constituem a canção segundo o conceito de dialogismo somado à noção de metáfora. Justificamos a realização deste estudo pelo interesse acadêmico de se observar a teoria na prática, nos atentando a canção Chão de Giz. Segundo Fiorin, em seu livro Introdução ao Pensamento de Bakhtin (2006), o dialogismo é a relação de sentido que se estabelece entre dois enunciados, estes, por sua vez, não podem ser repetidos, pois são eventos únicos. O autor explica que mesmo que o enunciado fosse repetido com palavras idênticas às usadas em uma situação anterior, ainda assim produziria sentidos diferentes por ser proferido em um tempo diferente, com um acento, uma apreciação ou uma entonação própria. Entendemos que no poema as metáforas cumprem um papel essencial por conta de suas propriedades semânticas que, dentre outras coisas, as tornam um ótimo recurso para ser utilizado no discurso poético. Analisamos as metáforas presentes no texto e percebemos que se trata de uma tentativa do eu lírico de compreender o fim do relacionamento com a pessoa amada. Nesse sentido, temos metáforas como No mais, estou indo embora e Já passou meu carnaval. Percebemos também que outras representam a tentativa de recuperação do amor pela memória, tais como, Há meros devaneios tolos a me torturar. A música registra a frustração do fim, a lembrança do amor vivido ao lado da pessoa amada. Ao analisarmos Chão de Giz, identificamos uma relação dialógica entre ela e Chão de Estrelas, de Silvio Caldas, de 1937. Entendemos que ambas falam de um amor finito, que não durou, representam amores impossíveis, envolvem mulheres inatingíveis e amores insustentáveis, além de ambas registrarem o fim. Cada música foi escrita sob uma perspectiva diferente e em tempos históricos diferentes. Ambas, porém, remetem ao carnaval. Em Chão de giz, temos Eu vou te jogar num pano de guardar confetes. Em Chão de estrelas, Meu barracão no morro do Salgueiro, tinha o cantar alegre de um viveiro, foste à sonoridade que acabou. A partir do estudo desenvolvido, percebemos a validade da análise da música Chão de Giz sob um viés linguístico e semântico, pois demonstra uma valorização do material literário, cultural e artístico nacional como forma de estudo acadêmico. No objeto estudado, a quantidade de metáforas é notável. Também é notável a multiplicidade de interpretações que ela permite. Com isso queremos dizer que nossa análise não é exclusiva, mas uma dentre as possíveis. Destacamos também a afinidade com Chão de Estrelas, no que se refere à temática e à utilização das metáforas. Sendo assim, a relação entre as duas obras pode ser vista como uma das formas pelas quais o dialogismo se manifesta

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
FREITAS, W.; OLIVEIRA DE ALENCAR, T.; DA ROSA DIOGO, J.; FAGUNDES DELABARI, L.; CRISTINA FERREIRA TEIXEIRA, I. ESCREVENDO SOBRE A ENUNCIAÇÃO E O DIALOGISMO EM CHÃO DE GIZ. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.