Marcas culturais e linguísticas na poesia de Rupi Kaur

  • Lucas Martins
  • Maria Ingrid de Macedo
  • Andressa Freitas de Freitas
  • Geice Peres Nunes
Rótulo  Escritura, Estilo, Barthes, Poemas, Rupi, Kaur

Resumo

Nossa proposta consiste em analisar os poemas sotaque e imigrante, presentes em o que o sol faz com as flores, de Rupi Kaur (2018) à luz da visão barthesiana de escritura e estilo. Esta foi uma das obras selecionadas para leitura do Clube do Livro, desenvolvido pelo PET Letras - Jaguarão e nos despertou o interesse em investigar a herança linguística e cultural  evidente nos poemas. O livro de Kaur é dividido em cinco partes: murchar, cair, enraizar, crescer e florescer. Nossa análise está ancorada na terceira parte, enraizar, e, na leitura dos poemas, pretendemos identificar as características culturais e linguísticas compreendidas como marcas da ancestralidade da escritora. Para realizar nossa análise, desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica. Assim, cientes das particularidades da escrita da autora, suas marcas linguísticas e culturais, adotamos como aporte teórico as teorias de Roland Barthes de escritura e estilo, desenvolvidas na obra O grau zero da escrita (2004). É na obra outros jeitos de usar a boca (2017) que encontramos explicação para os traços estilísticos de Rupi. Refletindo sobre os poemas, observamos uma construção estética em que a autora relata sua posição como imigrante, inserindo características da escrita de sua língua nativa (punjabi), que tem o gurmukhii como estilo de escrita e que adota como única pontuação o ponto final, utilizando-o também no lugar das vírgulas: esta é "a escrita punjabi que usa apenas o ponto final" (KAUR, 2017, p. 14). Além disso, constatamos que a autora realiza a substituição das letras maiúsculas por minúsculas - mesmo no início das frases, em títulos e em nomes próprios, outro elemento derivado do gurmukhii. Nesse estudo, a análise nos revelou, ainda, as marcas de ancestralidade da autora como mote dos poemas sotaque e imigrante, permitindo-nos visualizar os dramas presentes em sua escritura: "ter sua vida inteira/ dividida entre duas terras"; ou quando o eu lírico contrasta sua terra de origem e a que reside: "minha boca leva dois mundos" [...] "o inglês e minha língua-mãe" (2018, p. 139). A percepção desses elementos nos permite associar a escrita de Kaur ao conceito de Barthes sobre escritura, como uma forma de enunciação, e o seu estilo como um "fenômeno de ordem germinativa" (BARTHES, 2004, p. 11), de subjetividade em relação às coisas cercanas que dão origem à escrita, pois "mergulha na lembrança enclaustrada da pessoa" (2004, p. 11). A partir disso, notamos que a autora evidencia um estilo original, através da impressão de marcas identitárias indianas, ao resgatar os traços da sua língua materna, na poesia produzida em língua inglesa. Por isso, no legado pessoal da autora, vemos a conexão com o conceito barthesiano de estilo, visto que Rupi Kaur expõe suas origens, rememora-as nos poemas, traz à tona traços de sua língua mãe, como forma de não esquecimento, de não apagamento, como uma tentativa de honrar suas tradições em seu lugar de imigrante. 

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2020-03-30
Como Citar
MARTINS, L.; INGRID DE MACEDO, M.; FREITAS DE FREITAS, A.; PERES NUNES, G.   Marcas culturais e linguísticas na poesia de Rupi Kaur. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.