RETENÇÃO DE Γ-ORIZANOL NA NEUTRALIZAÇÃO DO ÓLEO DO FARELO DE ARROZ (ORYZA SATIVA)

  • Franciele Ferreira
  • Ana Paula Chiaretto
  • Marcilio Machado Morais
  • Candice Soares Dias
  • Valéria Terra Crexi
Rótulo Óleo, farelo, Arroz, Refino, óleo, Acidez, livre

Resumo

O Brasil é um dos dez maiores produtores mundiais de arroz (Oryza sativa), cujo beneficiamento produz o farelo, o qual é um resíduo industrial que pode ser utilizado para a extração de óleo. O óleo bruto extraído do farelo de arroz apresenta resistência à oxidação devido à presença de γ-orizanol, um antioxidante natural ausente em outros óleos, permitindo agregar valor comercial ao óleo de arroz. Entretanto, o óleo possui impurezas em sua composição, como ácidos graxos livres, compostos de oxidação (peróxidos, aldeídos e cetonas), que interferem na estabilidade oxidativa do óleo. Desta forma, faz-se necessário o refino do óleo de arroz, que tem como objetivo principal transformar o óleo bruto em um óleo comestível. Dentre as etapas de refino, destaca-se a neutralização, que visa à remoção dos ácidos graxos livres e demais impurezas presentes no óleo, buscando manter as suas propriedades antioxidantes. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo principal neutralizar o óleo degomado de arroz com dois diferentes agentes neutralizantes, o Hidróxido de Sódio (NaOH) e o Hidróxido de Potássio (KOH) e tendo-se como parâmetros de acompanhamento os teores de γ-orizanol, o índice de acidez, bem como o rendimento do processo. Foram realizados dois experimentos de neutralização: com solução aquosa de NaOH 20% p/v e solução de KOH 20% p/v, mais 20% de excesso, utilizando a quantidade estequiométrica necessária para neutralizar os ácidos graxos livres presentes no óleo. A neutralização ocorreu a 60°C com agitação, durante 20 min sob vácuo de 500 mmHg. Após a neutralização, foi realizada uma centrifugação a 2000 rpm, para separação das fases aquosa e da borra, e posteriormente o óleo foi lavado com água aquecida a 60ºC. Considerando a utilização de NaOH e KOH, o rendimento do processo foi de 54,54% e 34,48%, respectivamente, já os teores de γ-orizanol foram de 0,9435 ± 0,0001% e 1,0272 ± 0,0001%, e o índice de acidez foi de 1,71 ± 0,05 e 1,43 ± 0,04 mg KOH/g, respectivamente. Com base nos resultados obtidos verificou-se que a neutralização com KOH forneceu um óleo neutralizado com menor índice de acidez e um teor de γ-orizanol de 9,6% superior a neutralização com NaOH. No entanto, o óleo neutralizado com NaOH apresentou um maior rendimento (cerca de 58% maior), indicando que em termos de processo, o hidróxido de sódio é mais promissor para neutralizar o óleo de farelo de arroz, porém, em termos de qualidade, o óleo neutralizado com o hidróxido de potássio é mais interessante para a saúde humana. Ressalta-se que as maiores perdas de γ-orizanol ocorrem durante a etapa de neutralização e ainda, após a etapa de neutralização o óleo deve ser branqueado, seguindo as etapas de refino. Para otimização dos resultados, mais estudos relacionados as condições do processo poderiam ser realizados, a fim de obter melhores resultados para os teores de γ-orizanol, índice de acidez e rendimento. Palavras-chave: Óleo de farelo de Arroz. Refino do óleo. Acidez livre.

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
FERREIRA, F.; PAULA CHIARETTO, A.; MACHADO MORAIS, M.; SOARES DIAS, C.; TERRA CREXI, V. RETENÇÃO DE Γ-ORIZANOL NA NEUTRALIZAÇÃO DO ÓLEO DO FARELO DE ARROZ (ORYZA SATIVA). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.