MERCADOS E CADEIAS CURTAS NA AGRICULTURA FAMILIAR: UMA ANÁLISE TEÓRICA

  • Marcia Aguirre
  • Alessandra Troian
Rótulo Agricultura, Familiar, Cadeias, Produtivas, Comercialização, Direta

Resumo

Desde 2006, se reconhece como agricultores familiares todos os atores que ocupem área rural de até quatro módulos fiscais, em que parte da renda familiar seja derivada de atividades exercidas no respectivo estabelecimento rural e que a mão de obra utilizada no mesmo seja principalmente familiar. Sociologicamente, os agricultores familiares são caracterizados por pertencerem a uma estrutura social singular, na qual a unidade familiar participa da produção para a subsistência, compra, venda, trocas e acumulação do estabelecimento rural. Entre os anos de 2006 a 2009, estima-se que os alimentos oriundos da agricultura familiar correspondiam a 21,4% do valor total da média nacional de despesas com alimentos. Esta estimativa coincide com os desafios de inserção e acesso da agricultura familiar a mercados formais, pois, por vezes, optar por mercados informais (ou cadeias curtas) representa uma alternativa racional para os agricultores manter a produtividade e obter renda. Ainda assim, devido às barreiras normativas impostas pela legislação vigente (normas fiscais e sanitárias), nem sempre as cadeias curtas conseguem ser eficientes no que diz respeito ao acesso do consumidor aos alimentos produzidos. Como boa parte dos alimentos consumidos no Brasil são oriundos da agricultura familiar, este estudo analítico é pertinente no que toca as dificuldades da agricultura familiar em escoar a produção e dos consumidores em acessar. O objetivo central da pesquisa é analisar os desafios da agricultura familiar em se inserir nos mercados, especificamente nas cadeias curtas. Para tal, fez-se uma revisão bibliográfica a respeito das formas de mercado características da agricultura familiar. Com isso, a pesquisa possui caráter qualitativo, já que tem as principais fontes advindas da análise bibliográfica sobre o tema. Ao abordar as relações existentes nos mercados diretos da agricultura familiar, consideram-se as cadeias de produção curtas, pois colocam produtores diante dos consumidores ao diminuir a influência de mediadores isto estimula o valor agregado no território em que se localizam ao passo que fortalece a produção dos alimentos. Contudo, os agricultores não desejam se formalizar em virtude dos custos que implicam a formalização. Ademais, as relações sociais de proximidade com os consumidores fazem com que os agricultores tenham sempre mecanismos para escoar a produção familiar. As relações que concebem os mercados tradicionais neste contexto, colocam o agricultor familiar como agente central na construção das cadeias produtivas. No que concerne às cadeias curtas, a agricultura familiar e o agricultor ganham autonomia nos processos mercantis pois, quanto menor a cadeia, maior é a relação de proximidade e confiança existente no mercado. Porém, a produção de alimentos com maior valor agregado e a regulamentação são, ao mesmo tempo, um privilégio e um desafio, pois causam mudanças significativas na estrutura produtiva familiar.

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
AGUIRRE, M.; TROIAN, A. MERCADOS E CADEIAS CURTAS NA AGRICULTURA FAMILIAR: UMA ANÁLISE TEÓRICA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.