CHEMSEX: O IMPACTO NAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS E NA RESISTÊNCIA TRANSMITIDA AOS ANTIRRETROVIRAIS

  • Gabriela Sehnem
  • Grace Kelly Merigo
  • Luís Gustavo Crochemore
  • João Felipe Peres Rezer
Rótulo Chemsex, HIV, drogas, psicoativas

Resumo

Introdução: A infecção pelo HIV é uma prioridade em saúde pública, principalmente, quando se considera populações-chave como homossexuais e bissexuais masculinos. Nesse sentido, o fenômeno Chemsex surge como prática de comportamento de risco, pois refere-se ao uso de drogas psicoativas com o intuito de manter relações sexuais voluntárias, e na maioria das vezes, desprotegidas, principalmente por homens que fazem sexo com homens, por longos períodos e com múltiplos parceiros, aumentando o risco de transmissão de ISTs/HIV. Esse novo fenômeno é ainda facilitado pelas redes sociais e aplicativos por permitirem uma localização precisa e participação nas sessões. Portanto, identificar e reconhecer novas atitudes de risco como essa que aumentem a suscetibilidade ao HIV são essenciais para que se realize o planejamento e direcionamento eficaz de medidas de prevenção, como a profilaxia pré exposição (PreP) ou a redução de danos como profilaxia pós exposição (PEP) para um controle da transmissão de ISTs, bem como evitar a resistência transmitida do HIV. Metodologia: trata-se de uma revisão bibliográfica retrospectiva. Utilizou-se bases de dados como Pubmed, Scielo e Bireme, englobando publicações em português, inglês e espanhol dos últimos 5 anos. Como elementos norteadores foram utilizados os descritores: Chemsex, HIV, AIDS, ISTs. Resultados: Obteve-se 10 artigos, os quais revelam que as práticas sexuais e o abuso de substâncias psicoativas são mais acentuados em populações-chave de homossexuais/bissexuais quando comparados aos heterossexuais, além disso a probabilidade de participação em práticas, como Chemsex também se deu, significativamente maior, pelo primeiro grupo. Ademais, o número de novos diagnósticos de HIV também foi maior nos participantes dessas sessões (8,6%) quando comparados a não participantes (1,6%). As drogas utilizadas encontradas foram a metanfetamina cristalizada, mefedrona, cocaína e cetamina, as quais em até 78% dos casos foram administradas combinadas, por conferirem relações sexuais duradouras, prazerosas, eufóricas e desinibidas. As práticas de Chemsex foram associadas a maior interrupção de tratamento e à baixa adesão aos antirretrovirais, além de estimular a um aumento da utilização da PEP, sem consequente aumento da utilização de PreP. Um ponto importante dos achados é a resistência aos antirretrovirais, que acontece ao não se seguir um plano de tratamento adequado e então, falhas surgem durante o tratamento, podendo transmitir os vírus resistentes (resistência transmitida). Conclusão: Há necessidade de mais pesquisas em torno da prática de Chemsex e o HIV para entender as vulnerabilidades envolvidas. No entanto, frente aos achados atuais, percebe-se a extrema importância deste tema visto que se configura como um foco de comportamentos de risco e desenvolvimento de novos casos de IST/HIV. Além disso, a resistência transmitida com o Chemsex pode prejudicar os avanços das terapias e impactar negativamente na epidemia do HIV.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2020-03-30
Como Citar
SEHNEM, G.; KELLY MERIGO, G.; GUSTAVO CROCHEMORE, L.; FELIPE PERES REZER, J. CHEMSEX: O IMPACTO NAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS E NA RESISTÊNCIA TRANSMITIDA AOS ANTIRRETROVIRAIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.