O EXERCÍCIO FÍSICO COMO POSSÍVEL MODULADOR DA EXTINÇÃO E PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA AVERSIVA

  • Shara Silva
  • Ana Carolina Souza da Rosa
  • Karolina Rodrigues Lopes
  • Pâmela Billig Mello Carpes
  • Karine Ramires Lima
Rótulo Memória, aversiva, Extinção, Exercício, físico

Resumo

Introdução: A extinção da memória aversiva é de suma importância, visto que a evocação recorrente de memórias traumáticas pode ser prejudicial e está relacionada à transtornos mentais. Diante disto, buscar estratégias que facilitem a extinção dessas memórias é fundamental. Objetivo: Avaliar se uma única sessão de exercício físico é capaz de modular a extinção da memória aversiva e sua persistência. Material e métodos: Foram utilizados 24 ratos Wistar machos adultos divididos em 3 grupos: (i) controle, (ii) habituação em esteira rolante, e, (iii) exercício físico. Inicialmente, os grupos (ii) e (iii) passaram por um protocolo de habituação na esteira. Para avaliar a memória aversiva utilizamos o aparato esquiva inibitória (EI), uma caixa com assoalho de barras eletrificáveis e uma plataforma lateral. No dia 1, os animais foram treinados na EI, ao descer da plataforma receberam um estímulo elétrico de 0,7mA, 2s. No dia 2 os animais passaram por 3 sessões de extinção, com intervalos de 90min. entre elas, neste dia não receberam nenhum estímulo elétrico e puderam explorar o ambiente por 30s. Ainda, os animais do grupo (iii), 30 minutos antes do início do protocolo de extinção, realizaram uma sessão de exercício físico na esteira (intensidade 70% do VO2 máximo; 30min). No dia 3 realizou-se o teste de retenção da memória aversiva, onde contabilizou-se a latência de descida do animal ao ser colocado na plataforma lateral do aparato. A persistência da memória aversiva foi avaliada por testes realizados 7, 14 e 21 dias após as sessões de extinção. As latências de descida da plataforma no dia do treino e testes foram comparadas em intragrupo pelo teste Wilcoxon. Considerou-se significativo P ≤ 0,05. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da Unipampa (protocolo 005/2018). Resultados e discussão: No teste de 24h, a latência de descida da plataforma foi significativamente maior para todos os grupos quando comparada ao dia do treino (P = 0.0078; P = 0.0039; P = 0.0039; grupos i, ii e iii respectivamente), indicando que os animais continuaram expressando memória aversiva e que, portanto, não houve extinção em nenhum grupo. Nos testes seguintes verificou-se persistência da memória aversiva em todos os grupos até o 21º dia (P = 0.0156; P = 0.0234; P = 0.0078; grupos i, ii e iii respectivamente). Inicialmente hipotetizamos que o exercício poderia melhorar a extinção da memória, no entanto nossos resultados mostraram que não. Uma possível explicação seria a ocorrência do fenômeno de dependência de estado, que pode ocorrer quando uma aprendizagem (EI) ocorre na presença de um estímulo que mobiliza um estado emocional específico (exercício), de forma que esta aprendizagem só se manifestaria/seria evocada em condição similar (i.e., e expressão na memória depende do estado emocional). Esta hipótese ainda precisa ser testada. Conclusão: Uma única sessão de exercício físico não foi capaz de modular a extinção e persistência da memória aversiva.

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
SILVA, S.; CAROLINA SOUZA DA ROSA, A.; RODRIGUES LOPES, K.; BILLIG MELLO CARPES, P.; RAMIRES LIMA, K. O EXERCÍCIO FÍSICO COMO POSSÍVEL MODULADOR DA EXTINÇÃO E PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA AVERSIVA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.