AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DO HERBICIDA SULFENTRAZONE (BORAL 500SC®) EM DROSOPHILA MELANOGASTER

  • Maria Paz
  • Lisiane de Oliveira Moura
  • Jefferson de Jesus Soares
  • Elton Luis Gasparotto Denardin
  • Bruna Piaia Ramborger
  • Rafael Roehrs
  • Mateus Cristofari Gayer
Rótulo Depleção, dopaminérgica, Herbicida, Sulfentrazone, Drosophila, melanogaster, Neurotoxicidade

Resumo

O pesticida sulfentrazone (SUL) é amplamente utilizado na agricultura para o controle pré e pós-emergente e pós-plantio de plantas daninhas. Entretanto, o uso exagerado de pesticida pode causar toxicidade a organismos não-alvos. A exposição ambiental a pesticidas está diretamente relacionada na manifestação de doenças neurodegenerativas como doença de Parkinson e a doença de Alzheimer. Devido à ampla utilização do pesticida SUL na agricultura, poucas pesquisas envolvendo a toxicidade do mesmo em animais e por sua alta persistência no ambiente, existe a necessidade de estudos que busquem mostrar possíveis efeitos neurotóxicos provocados pela exposição e intoxicação ao pesticida. Para avaliar a neurotoxicidade do SUL, foi utilizado como modelo experimental a Drosophila melanogaster (DM), sendo realizados testes locomotores, conteúdo de dopamina e marcadores oxidativos em moscas expostas a este pesticida. DM (ambos os sexos) com idade de 1-5 dias foram divididas em quatro grupos de 20 moscas cada: (1) controle, (2) SUL 0,1 mM, (3) SUL 0,5 mM, (4) SUL 1 mM. As moscas foram expostas a uma dieta contendo o SUL por 4 dias para a avaliação da taxa de sobrevivência. A dieta durante o tratamento consistiu em 1% m/v de sacarose, 1% m/v de leite em pó, 2% m/v de ágar. Após o tratamento, a atividade locomotora das moscas foi avaliada através do ensaio de geotaxia negativa. Para o preparo das amostras para análise dos níveis de dopamina por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência acoplado a um Detector de Arranjo de Diodos (HPLC-DAD) foram utilizadas 30 moscas por grupo. A fase móvel foi constituída de metanol e água ultrapura acidificada a pH 3 (12,5:87,5 v/v) com detecção em 198 nm. Os resultados foram expressos em mg de dopamina por mg de cabeça de mosca. Foram realizados também ensaios de espécies reativas e peroxidação lipídica. Para esses testes, as moscas ficaram expostas ao SUL por dois dias, nas concentrações descritas. Através da taxa de sobrevivência das moscas frente a diferentes concentrações do pesticida, foi constatado que o pesticida possui uma toxicidade elevada, levando a morte total das moscas após quatro dias de exposição nas duas concentrações mais elevados do herbicida. Foi constatada depleção dopaminérgica nas moscas expostas ao SUL proporcionalmente as concentrações à que foram expostas, o que pode estar diretamente relacionado com o dano locomotor observado nos testes de geotaxia negativa. Não houve diferenças significativas nos resultados dos marcadores oxidativos, demonstrando que a neurotoxicidade causada pelo sulfentrazone pode não ocorrer por estresse oxidativo. Os resultados deste estudo demonstram que o sulfentrazone induz neurotoxicidade em D. melanogaster, entretanto, novos estudos serão realizados para avaliar o mecanismo de neurotoxicidade desse herbicida.

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
PAZ, M.; DE OLIVEIRA MOURA, L.; DE JESUS SOARES, J.; LUIS GASPAROTTO DENARDIN, E.; PIAIA RAMBORGER, B.; ROEHRS, R.; CRISTOFARI GAYER, M. AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DO HERBICIDA SULFENTRAZONE (BORAL 500SC®) EM DROSOPHILA MELANOGASTER. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.